Teoria de Piaget


Construtivismo

Segundo Mario Carretero [CAR 97], construtivismo "é a idéia que sustenta que o indivíduo - tanto nos aspectos cognitivos quanto sociais do comportamento como nos afetivos - não é um mero produto do ambiente nem um simples resultado de suas disposições internas, mas, sim, uma construção própria que vai se produzindo, dia a dia, como resultado da interação entre esses dois fatores. Em consequência, segundo a posição construtivista, o conhecimento não é uma cópia da realidade, mas, sim, uma construção do ser humano".

Na escola construtivista, dois pesquisadores se destacam: Vygtsky e Piaget.

Vygotsky vê o sujeito como um ser eminentemente social, na linha do pensamento marxista, e ao próprio conhecimento como um produto social. Ele sustenta que todos os processos psicológicos superiores (comunicação, linguagem, raciocínio, etc), são adquiridos no contexto social e depois se internalizam.

Piaget desenvolveu uma teoria chamada de Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética, onde explica como o indivíduo, desde o seu nascimento,constrói o conhecimento. Esta teoria é a mais conhecida concepção construtivista da formação da inteligência.

Piaget vê mais o professor como um espectador do desenvolvimento e favorecedor dos processos de descobrimento autônomo de conceitos do que como um agente que pode intervir ativamente na assimilação do conhecimento.

Mario Carretero [CAR 97] coloca: "a teoria de Piaget continua oferecendo, na atualidade, a visão mais completa de desenvolvimento cognitivo, tanto pela grande quantidade de aspectos que aborda (desenvolvimento cognitivo desde o nascimento até a idade adulta, desenvolvimento moral, noções sociais, lógicas, matemáticas, etc.)como por sua coerência interna e utilização de uma metodologia que deu origem a resultados muito produtivos durante cinquenta anos de pesquisa."


Teoria de Piaget

Na teoria de Piaget, a pessoa constrói seu conhecimento na medida em que interage com a realidade. Segundo Piaget, o organismo biológico se adapta ao ambiente, construindo novas formas materias que são inseridas no universo,da mesma forma que a inteligência constrói estruturas mentais que se aplicam ao meio. Essa construção acontece mediante vários processos, entre os quais se destacam os da assimilação e de acomodação.

Assimilação é a incorporação de um elemento exterior (objeto, acontecimento) num esquema sensorimotor ou conceitual do sujeito. Acomodação é a necessidade que a assimilação se encontra de considerar as particularidades próprias dos elementos a assimilar. [PIA 57].

Um esquema é a representação de uma situação concreta ou de um conceito. O ser humano não atua na realidade diretamente, mas através dos esquemas já formados. Portanto, a representação do mundo dependerá de tais esquemas. A interação com a realidade fará com que os esquemas do indivíduo estejam constantemente mudando.

A inteligência atravessa fases qualitativamente distintas. A diferença entre um estágio e outro não é número de requisitos que são acumulados, mas o fato de novos esquemas e estruturas estarem sendo criados/alterados.

Como mencionado acima, a construção do conhecimento ocorre de acordo com a interação do sujeito com a realidade. Quando o sujeito se depara com algo novo, ocorre uma perturbação, um processo de desequilíbrio nos esquemas já formados pelo sujeito. Quando ocorre este desequilíbrio o sujeito tende reformular seus esquemas de forma que atinga novamente um estado de equilíbrio. O processo cognitivo pode ser visto como uma sucessão de interações entre os processos de assimilação e acomodação com o objetivo de atingir estados de equilíbrio cada vez mais estáveis e duradouros.

Raul Waslawick [WAS 93] destaca: "a frequência de desequilíbrios vai diminuindo com o tempo, ou pelo menos a sua força. Isto acontece porque à medida em que o sujeito constrói novas estruturas cognitivas ele cria um campo maior de abrangência de seu conhecimento, no sentido quantitativo. Além disso, ele constrói novas formas de estruturas e novos mecanismos capazes de prever certas situações antes que elas aconteçam. Desta forma, o que aparecia antes uma perturbação, causando desequilíbrio no sistema, pode ser mais tarde previsto, mesmo se vier com outras formas variantes, e assim ser tratado de maneira menos traumática".

Existem três tipos de equilibração [PIA 57]:

No sistema de equilibração, os desequilíbrios são as fontes de progresso do desenvolvimento do conhecimento, pois os desequilíbrios obrigam o sujeito ultrapassar o estado atual a procura de novas direções. Este é um processo contínuo que dá origem a estados de equilíbrio sucessivos e descontínuos. Existem tipos diferentes de estados de equilíbrio e estas diferenças podem ser especificadas de acordo com um conjunto de dimensões comuns ao longo das quais os estados variam. Estas diferenças são ordenadas, pode-se dizer que um estado é "melhor equilibrado" que outros ou que atingiu um "grau mais alto de equilíbrio".

Em resumo, o estado de equilíbrio se refere a um sistema equilibrado de relações entre o sujeito e o objeto, isto é, entre a assimilação e acomodação.

Quando um desequilíbrio ocorre, um esquema é ativado. Todo o esquema visa atingir um objetivo e gera um resultado que serve para realimentar o esquema. Quando o objetivo não é alcançado é porque o esquema não é apropriado. O resultado pode confirmar os objetivos e assim fortalecer o esquema ou pode não estar de acordo com as previsões, constituindo uma perturbação [WAZ 95].

Existem dois grupos de perturbações [PIA 57]:

Segundo Piaget [PIA 57]: "feedback negativo, como o próprio nome indica, consiste numa correção supressiva, quer se trate de afastar obstáculos, quer de modificar os esquemas pela eliminação de um movimento em proveito de outro, diminuindo sua força e extensão. Quanto ao feedback positivo, é um reforço e parece, portanto, alheio a qualquer negação."

A reação a uma perturbação é denominada regulação, isto é, um processo paralelo que relaciona o sujeito aos objetos ou os esquemas do sujeito entre si. No processo de regulação existem dois processos que percorrem sentidos contrários:

As ações individuais que compõe as regulações são denominadas compensações. Compensações são ações que ocorrem contrárias a determinados efeitos, tendendo a neutralizá-los ou anulá-los.

Existem os seguintes tipos de compensações: