ENSINO À DISTÂNCIA

II. questões pedagógicas


A. ENTRAVES DO ENSINO PRESENCIAL

O ensino à distância é uma tentativa de reduzir estes problemas com o uso do ensino assíncrono, através de inovações tecnológicas, onde o aluno pode fazer o curso de acordo com suas possibilidades além de aumentar o nível de aproveitamento e qualidade.


B. MODALIDADES DE ENSINO À DISTÂNCIA

TIPOS DE INTERAÇÃO

Por um lado, ambientes que utilizam recursos face a face podem ser mais interativos. Por outro, estes ambientes exigem que as pessoas interajam ao mesmo tempo, não havendo uma liberação da restrição temporal. É por isso, que ambientes que propiciem uma INTERAÇÃO ASSÍNCRONA DISTRIBUÍDA (interação em tempos diferentes e em locais diferentes) são considerados, de um modo geral, mais vantajosos. É claro que tudo vai depender dos objetivos que desejamos alcançar através da interação e qual o perfil das pessoas envolvidas na interação.


C. ESTRATÉGIAS E TÉCNICAS PEDAGÓGICAS

Quais são os objetivos em termos de conhecimento utilizando a telemática e a informática como tecnologia de ensino à distância? Quais são as formas e caminhos para obter estes objetivos? Em que medida que as tecnologias de informática possibilitam o desenvolvimento afetivo e cognitivo dos alunos? Como avaliar a participação do aluno? Estas questões são referidas resumidamente nos ítens a seguir.

C.1. COOPERAÇÃO x COLABORAÇÃO:

Muitos autores tem tratado atividades cooperativas e atividades colaborativas como sinônimos. A sugestão é que tais conceitos sejam diferenciados. Colaborar relaciona-se com contribuição sem necessariamente ter que haver trabalho conjunto envolvendo, na maioria das vezes, patamares diferenciados em termos de conhecimento. Cooperar (co-operar), por sua vez, além de exigir colaboração, envolve trabalho conjunto visando alcançar objetivo compartilhado.

C.2. A NECESSIDADE DE SINCRONIZAR

Mesmo sendo "virtual", um trabalho cooperativo e colaborativo tem que ter um sincronizador, ou seja, um componente "coordenador" isto é, algo ou alguém que não tenha apenas a tarefa de mediador mas que providencie um mínimo de organização ao resultado do "braim storm".

C.2. MOTIVAR A COOPERAÇÃO E A COLABORAÇÃO:

C.4. O "SILÊNCIO DOS INOCENTES"

Uma experiência bastante interessante com os alunos de psicologia da UFRGS (prof. Rosane): as aulas foram todas a distância, via mail, com discussões, contribuições sobre assuntos diversos e sempre tinha um aluno que não participava. Ela começou a se questionar como avaliaria este aluno. A professora solicitou um trabalho final sobre todas as interações na rede e para surpresa dela, o melhor trabalho, o que estava mais rico tinha sido exatamente daquele aluno calado. Realmente, as interações na rede são ricas mas não se pode afirmar que alunos que não participam dos bate-papos não aprendem.

C.5. AFETO E COMUNICAÇÃO:

Uma problemática específica é a do desenvolvimento afetivo em interações via redes. Há necessidade de investigar a correlação entre abstrações e afeto nestes ambientes. Uma alternativa de reflexão aponta para o fortalecimento das formalizações linguísticas; outra, para a possibilidade de extroversão do afeto através da linguagem.

C.6. FORMAS DE AVALIAÇÃO

Os métodos de avaliação do aproveitamento do aluno podem ser variados: questionários aplicados antes e depois do curso aos estudantes; a direta observação do instrutor on-line das atividades desenvolvidas; entrevistas com os alunos; comparação dos resultados com os resultados obtidos em cursos tradicionais, etc.


D. ALGUNS FUNDAMENTOS TEÓRICOS-PEDAGÓGICOS

D.1.A ABORDAGEM DE JAFEE

O artigo de Jafee aponta as seguintes características da ALN: interatividade, mediação, aprendizagem ativa e aprendizagem colaborativa. Cada uma destas características apresenta princípios e práticas pedagógicas, conforme a exposição a seguir:

O artigo de Jafee destaca os seguintes aspectos (relacionados aos ítens acima):
  • Interatividade: visto essencialmente como um processo social que necessita da interação entre os indivíduos;

  • Mediação: sugere a utilização dos conceitos piagetianos (acomodação, assimilação e teoria do equilibrio);

  • Leitura ativa: o aluno deve provar o conhecimento da leitura através da escrita, desenvolvendo e demonstrando seu conhecimento, reorganizando e relacionando a informação;

  • Leitura colaborativa: alunos e professores são participantes no processo de leitura, fazendo com que o conhecimento surja do diálogo entre eles e desta forma entendam e apliquem os conceitos e técnicas.
D.2. CONSTRUÇÃO PSICO-SOCIAL DO CONHECIMENTO

O conhecimento é visto como uma construção social, baseado numa variedade de mecanismos socio-psicológicos que tornam o aprendizado colaborativo eficiente, incluindo a "auto-explanação", "internalização" e "apropriação".

D.3. COMPETÊNCIA EM ORIENTAR A CONSTRUÇÃO HIPERTEXTUAL

Um dos aspectos a ser exigido do docente que trabalhe com informática é a capacidade de orientar a construção hipertextual, o que significa possibilitar a linkagem dos conhecimentos que transitam em turmas e disciplinas, multiplicando o seu poder explicativo. Esta característica exige uma capacidade técnico-operacional. Ao mesmo tempo, a necessidade de orientar a todos e a cada um, requer abordagens psico-socio-pedagógicas, baseadas em uma ou mais teorias existentes sobre a constrfução do conhecimento. A conexão entre teoria e prática discursiva dos alunos é um trabalho exaustivo, pois exige a percepção daquilo que é particular a cada um e a capacidade de captar os elementos comuns (universais) de uma determinada turma, à luz do conhecimento teórico (que é sempre mais universal). Trata-se, portanto, não só de apropriar-se da singularidade (o particular e o universal) de cada turma, mas também de conservar a experiência de cada semestre ou período para os posteriores, transmitindo a experiência de conhecimento coletivo para as turmas futuras. Aa possibilidade aberta pela telemática de coordenação autônoma dos pontos de vistas de vários alunos de forma continua é um grande avanço, que rompe com os limites da centralização do saber, apontando para a horizontalizaçAo das relações pedagógicas. A autoridade do professor terá que se basear muito mais na profundidade de seu conhecimento.


E. ATIVIDADES DOCENTES

E.1. PREPARAÇÃO ANTECIPADA:

Os materiais necessários ao curso devem ser pedidos por ocasião da matrícula para que o aluno não se sinta perdido no inicio do curso.( livros, videotapes,etc)

E.2. IMPACTO SOBRE PROFESSORES :

Os professores também tem uma "sala dos professores" virtual, onde se encontram e discutem os procedimentos, comentários, etc. Impressões preliminares mostram que :

  • a preparação dos vídeos e outros materiais didáticos e uma tarefa estafante, na proporção de levar 10 horas de trabalho para gerar 2 horas de vídeo, sem contar revisões e ensaios necessários para ser posto em prática o novo material;

  • tem que se levar em conta, ainda , o tempo dispendido em fazer inúmeras cópias (tantas quantos forem os alunos);

  • mesmo que já se tenha o material didático preparado, a quantidade de trabalho do professor é igual ou maior que a tradicional, pois tem que se manter atento atendendo as interferências dos alunos on-line, e a parte de correção dos trabalhos e a mesma;

  • o professor, às vezes, se sente como um caçador de cabeças pois ele fica preocupado em que todos participem, isto atrapalha sua função maior de conduzir o conteúdo da aula;

  • há dificuldade de julgamento por parte do professor, pois os trabalhos dos alunos chegam em horas e dias diferentes, uns por e-mail, outros por correio normal, outros são entregues pessoalmente.

E.3. REFLEXÕES

Ao contrário da ingênua abordagem da informática como meio técnico de produção sempre redutor do trabalho socialmente necessário, a sociedade da informação em geral (e a informática na educação em particular) gera uma matéria prima informacional codificada jamais registrada na história do conhecimento. O trabalho do presente-futuro é o de transformar esta matéria-prima em produtos socialmente necessários (no caso dos professores, em conhecimento). Por isso, mais do que nunca, o que espera o mundo pedagógico é muito trabalho, de qualidade analítica, capaz de decodificar e relações o amontoados de informações inseridas num banco de dados de um disciplina.


F. AVALIAÇÃO PELOS ALUNOS

F.1. Problemas reportados pelos estudantes :

  • 13% dos alunos indicaram que o acesso a computadores era difícil para eles, eles não se alistariam para cursos que tivessem esta exigência: acesso a PC+ modem;

  • de 40 a 50% dos alunos acusaram ter dificuldade de acessar a rede por sinal de ocupada;( a solução está na escola abrir mais canais e dos alunos se associarem a serviços de servidores da Internet, U$15 por mês)

  • uma desvantagem da aula virtual e que realmente é difícil das pessoas se tornarem amigas( um terço, não consegue ficar amiga, outros sim);

  • outra dificuldade é das pessoas que não tem força de vontade, e estão sempre adiando suas tarefas, acabam não cursando e ficando para trás.

  • Acesso objetivo:Facilita o acesso do aluno ao professor.Aprendizado colaborativo 55% dos alunos se sentem mais motivados a trabalhar por que sabem que outros alunos também vão ler seu trabalho. Somente 9% dos alunos acha que não vale a pena.Por causa da conveniência de acessar de casa e diariamente a interação da aula online, onde todos contribuem, a tendência é de todos trabalharem mais.


G. AVALIAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS

G.1. as conclusões sobre o uso da ALN no projeto "The Social and Economic Development" de David Jaffee:

  • FAVORÁVEIS:

  • maior quantidade e melhor qualidade de respostas: elimina a ansiedade da exposição ao público, há mais tempo para refletir sobre as respostas, permite um fórum de discussão e todos tem acesso a tudo;

  • consolidação da responsabilidade de participação: há tempo e espaço para toda intervenção, rompendo com o "silêncio da classe";

  • reengenharia do processo de ensinar e aprender;

  • eficácia do modelo pedagógico do "diálogo orientado".

  • DESFAVORÁVEIS:

  • desadaptação de alguns estudantes: não substitui o "face-to-face" para estes, devendo ser adotado alternativamente;

  • dificuldade dos estudantes com a tecnologia: houve retardo até que o sistema produzisse;

  • ausência de participação de alguns alunos, embora em menor escala do que no ensino presencial tradicional;

  • pouca valorização acadêmica.

  • OUTROS ASPECTOS IMPORTANTES

  • a quebra dos paradigmas da educação tradicional, a evolução para o constru- tivismo não é um passo fácil, pois envolve uma mudança de mentalidade muito grande. Além disso, em alguns locais, o construtivismo é encarado de uma forma adulterada. Por outro lado, o ensino construtivista exige muito mais do professor do que o ensino tradicional.

  • os nossos professores não estão preparados para assumir uma abordagem construtivista: falta-lhes conhecimento de técnicas de participação em grupo, mediação, etc.

  • os nossos alunos estão cada vez menos com capacidade de expressão e comunicação. Parece que existe um bloqueio com os verbos pensar e comunicar.

G.2. GEORGE WASHINGTON UNIVERSITY

Curso de mestrado on-line da George Washington University:

  • resumo: a satisfação dos alunos geralmente foi maior, em comparação com os cursos convencionais.

  • medidas de rendimento ou aproveitamento não mostraram diferenças significativas;

  • maior nível de pensamento crítico e solução de problemas

  • maior quantidade de discussão entre os alunos e professor

  • pode-se observar que os aspectos positivos do curso on-line ocorrem se o curso é bem planejado e executado e neste sentido os professores devem saber como motivar seus alunos.

G.3.IAWA GENERAL CHEMISTRY NETWORK

Já a IGCN (Iawa General Chemistry Network - rede de professores de química que trabalham em diferentes escolas e universidades de Iawa, EUA) cita que utilizou a rede para divulgar projetos, motivar professores a participar de projetos, etc. Quanto aos benefícios, citam acesso as informações em qualquer localidade e a qualquer hora, possibilidade de discussões, etc.

Também se questionaram quanto a utilização da rede. Quando esta é apropriada e quando esta não é no sentido de que a tecnologia esta ai e não é só por isso que esta deve ser utilizada. Deve se pensar com que métodos, com que objetivos, etc.

G.4. NEW JERSEY INSTITUT OF TECNOLOGIE

O NJIT se especializou no seu EIES: eletronic information exchange system , estruturado com especiais softwares criados para suportarem o aprendizado colaborativo., com mecanismos que forçam a participação ativa, e um livro de notas(grades).

A participação é geralmente assíncrona, isto é, os participantes podem discar para lá em qualquer tempo, e de qualquer lugar com acesso a Internet ou qualquer sistema telefônico confiavel.

A experiência desta escola é que na medida do possível os alunos preferem a aula de contato presencial mas com o uso das novas tecnologias como fator facilitador de aprendizagem. 50% dos alunos matriculados em VC (virtual classroom) estão cursando todos créditos a distância, os outros 50% estão fazendo a maioria de seus créditos no campus, eles combinam VC+ video com VC+face-to-face(presencial) , o que acreditam que motive mais os alunos.

Para resolver a problemática do ensino presencial (ver ítem A) foi necessária toda uma reformulação do currículo do curso, até a ordem como as matérias são oferecidas nos semestres, que com estas inovações podem ser oferecidas mais matérias simultaneamente( não precisa de tanto professor e isto quando já se tem todos cursos montados em materiais didáticos alternativos de aula a distância). Há a possibilidade do aluno fazer cursos de maneira intensiva.

G.4.1. TIPOS DE EXPERIÊNCIA NO NJIT

  • Virtual Classroom + Video: programa de graduação

Este programa foi inicialmente desenhado para oferecer acesso e efetividade no curso de graduação em Sistemas de Informação, distribuído via VC mais vídeo para obter 5 objetivos:

  • 1) progresso mais rápido no curso de graduação, solucionando os maiores problemas de logística educacional, como o do aluno desenvolver-se no seu próprio ritmo;

  • 2) aumentar a qualidade de aprendizado através do ensino colaborativo, faciltada a interação aluno X professor através do computador;

  • 3) aumentar a oportunidade de estudo para adultos que trabalham e pessoas que procuram se re-integrar na força de trabalho, em particular as mulheres;

  • 4) avaliação formativa e sumária da efetividade deste método de uso de mix mídia para atingir os objetivos acima;

  • 5) disseminação das técnicas que obtiveram sucesso e materiais a outras institutições.

Resultados parciais da análise do projeto VC+ Video:
  • o aproveitamento em cursos de classe virtual sera igual ou superior que a tradicional;

  • como a participação do aluno é mais efetiva , melhora a qualidade como um todo;

  • os alunos que participam da experiência de aprendizado em grupo via virtual classroom geram maior capacidade de julgar os resultados superiores dos cursos on-line.

H. PERSPECTIVAS

H.1. OLHANDO PARA O FUTURO:

Está previsto o uso de inovações conforme os acessos vão ficando facilitados a todos, como CD-ROM e módulos baseados no WWW. A dificuldade de mudar a cabeça dos professores de repensarem seus métodos de ensino e de os adaptarem as novas tecnologias. Inicialmente se tem a impressão que oferecer cursos em ALN poderia ampliar os lucros das escolas, mas a realidade tem mostrado que não, se a meta for a qualidade e o aumento de aproveitamento. Precisa-se de professores treinados e dispostos a estar constantemente controlando seus alunos, o que e cansativo.

H.2.BARREIRAS ÀS NOVAS TECNOLOGIAS

A dificuldade de mudar a cabeça dos professores de repensarem seus métodos de ensino e de os adaptarem às novas tecnologias. Inicialmente se tem a impressão que oferecer cursos em ALN poderia ampliar os lucros das escolas, mas a realidade tem mostrado que não, se a meta for a qualidade e o aumento de aproveitamento. Precisa-se de professores treinados e dispostos a estar constantemente controlando seus alunos, o que é cansativo.


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