Relatório Final

Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação
Projeto final submetido as disciplinas de:

  • Laboratório de Teleducação - Profa. Dra. Liane M. R. Tarouco
  • Tópicos Especiais em Desenvolvimento Cognitivo - Profa. Dra. Léa da Cruz Fagundes
    Aluna: Maria de Fátima Webber do Prado Lima

    1 Introdução
    2 Desenvolvimento da Disciplina
    2.1 Ferramentas Utilizadas
    2.2 Aplicação da Metodologia
    3 Conclusão
    4 Referências Bibliográficas

    1 Introdução

    O projeto apresentado para as disciplinas de Laboratório de Teleducação e Tópicos Especiais em Desenvolvimento Cognitivo visava implantar uma nova metodologia no ensino da disciplina de Teleprocessamento.

    A disciplina de Teleprocessamento até então era ministrada de forma tradicional, isto é, o professor apresentava o conteúdo de forma expositiva e os alunos "aprendiam" ouvindo a explicação do professor. No final dos encontros semanais, eram aplicados exercícios que eram desenvovidos em classe e extra-classe. Estes exercícios, que eram a avaliação do semestre, exigiam que os alunos realizassem associações e pesquisas para complementar o tema apresentado.

    O grande problema da abordagem tradicional é que a aprendizagem real era muito pequena.

    Para tentar reverter este quadro, o projeto em questão propôs alterar a metodologia de ensino utilizada, tentando aumentar o nível de aprendizado dos alunos.

    A metodologia construtivista foi escolhida como ancora deste trabalho. Porém como foi descrito no projeto inicial, aplicar a real prática construtivista, isto é, os alunos aprenderem de acordo com seus desejos é muito difícil por vários fatores: professor e alunos não estão preparados para tal mudança e a atual estrutura da Universidade ainda não permite pois existem conteúdos e horários a serem cumpridos.

    A idéia então é utilizar uma metodologia de ensino híbrida onde o trabalho realizado pelo aluno se caracterize pelo construtivismo e o professor aga como um favorecedor do desenvolvimento do aluno. Porém, o professor deverá incentivar o progresso do aluno dentro do conteúdo programático projetado pela disciplina, não significando que o aluno não possa aprofundar ou conhecer novos itens de acordo com seu interesse.

    Todo o trabalho desenvolvido seguiu a teoria da equlibração de Piaget.

    2 Desenvolvimento da Disciplina

    Harasim[HAR 97] coloca que a educação do século 21 deverá “preparar os alunos para se integrarem em uma economia globalizada, baseada em conhecimento, na qual o conhecimento será o recurso mais crítico para o desenvolvimento social e econômico”. Com a rápida proliferação das informações, a defasagem do conhecimento será veloz, exigindo uma constante atualização. A aprendizagem passa a ser uma atividade para a vida toda, onde o aluno deve “aprender a aprender” [OTS 97].

    Com o avanço tecnológico e científico e o aumento da complexidade dos problemas a serem resolvidos, o perfil do profissional de informática está sendo alterado, exigindo que as pessoas sejam capazes de trabalhar efetivamente em grupo [OTS 97].

    Abaixo será descrito como a disciplina de Teleprocessamento foi desenvolvida.

    2.1 Ferramentas Utilizadas

    Existem duas categorias de entrega de sistemas de Ensino à Distância: síncrono e assíncrono [STE 97]. Os métodos síncronos (TV interativa, conferências por computador, IRC, MOO, etc.) exigem participação simultânea de todos os estudantes e professores. A vantagem é que a interação é realizada em “tempo-real”.

    Os métodos assíncronos (e-mail, listas, WWW) não exigem a participação simultânea dos participantes. Estudantes não precisam estar localizados no mesmo local e na mesma hora.

    Para escolher quais ferramentas seriam utilizadas no desenvolvimento do projeto, algumas características foram consideradas:

    Considerando as características acima, optou-se por utilizar ferramentas assíncronas.

    Como esta disciplina deveria manter seus encontros normais, foi alocada uma sala com 14 computadores, onde durante aquele período os alunos desenvolviam suas atividades utilizando as ferramentas assíncronas.

    A disciplina de Teleprocessamento utilizou basicamente duas ferramentas de trabalho: WWW e correio eletrônico.

    Joice Otsuka, no trabalho intitulado Fatores Determinantes na Efetividade de Ferramentas de Comunicação Mediada por Computador no Ensino à Distância, explica as vantagens da utilização do WWW como ferramenta de ensino. A idéia principal da utilização do WWW neste trabalho, é fornecer um meio onde o aluno pudesse estruturar todo o processo de aquisição do conhecimento e deixá-lo disponível aos demais, de forma que, cooperativamente construíssem uma base de dados sólida que reflitisse o processo de aprendizagem.

    Todos os trabalhos desenvolvidos pelos alunos formaram o Diário de Classe. Neste diário, as páginas esqueletos, isto é, as páginas que contém os indíces e as tarefas a serem realizadas, foram construídas pelo professor. Todo trabalho desenvolvido pelos alunos eram feitos na linguagem html e encaminhados ao professor através do correio eletrônico. Ao professor cabia o papel de administrador do Diário de Classe, sendo de sua responsabilidade a manutenção de todos os links.

    O correio eletrônico foi utilizado como um meio de discussão, de comunicação entre alunos e professor.

    2.2 Aplicação da Metodologia

    O construtivismo, mais especificamente a Teoria de Piaget, não define um modelo pedagógico. Define uma teoria do conhecimento, de desenvolvimento humano que traz implicações para o ensino. Nesta teoria, a inteligência se constrói a partir da troca do organismo com o meio, através das ações do indivíduo.

    A metodologia aplicada na disciplina procurou utilizar os principais aspectos da Teoria Piagetiana:

    1. A apreensão da realidade depende dos esquemas anteriores. Desta forma, deve-se realizar uma sondagem do esquema prévio do indivíduo.

      Em todos os momentos da disciplina procurou-se saber qual o conhecimento prévio do aluno, para poder acompanhar o progresso de seu desenvolvimento. Alguns exemplos que podem ser citados:

    2. O trabalho em grupo é decisivo no desenvolvimento intelectual do ser humano. O compartilhamento de idéias, informações, decisões e responsabilidades são importantes ao desenvolvimento operatório do ser humano.

      Todas as atividades desenvolvidas na disciplina de Teleprocessamento eram realizadas em grupo. A formação dos grupos era responsabilidade dos próprios alunos.

      Uma das várias atividades propostas foi um trabalho cooperativo. Neste trabalho, os alunos deveriam pesquisar sobre os problemas que poderiam ocorrer na transmissão de dados e relacioná-los com os meios de transmissão de dados. O resultado desta pesquisa deveria ser enviada a lista da disciplina para discussão a fim de ser construída, de forma colaborativa, uma página html que refletisse as conclusões do trabalho.

      Porém esta atividade não obteve o resultado esperado. Os alunos realizaram a pesquisa, enviaram suas contribuições através do correio eletrônico e dois alunos realizaram a edição da página html. A única troca de idéias real que ocorreu durante o trabalho foi a definição dos alunos que ficariam responsáveis em montar a página html.

      Outras atividades (conceituação de redes broadcast, redes ponto-a-ponto , redes locais, redes metropolitanas, redes de longa distância, etc..) foram propostas utilizando o mural eletrônico. A idéia é que os alunos construíssem alguns conceitos. Porém, os alunos colocavam as contribuições no mural sem ler as contribuições dos colegas. Alguns alunos copiavam trechos de livros relacionados com o tema. Outros realizavam "cut and paste" nos textos presentes na Internet. Alguns nem mesmo traduziam do inglês para o português os trechos obtidos.

      Em todos os momentos ocorreu a interferência do professor, no intuito de alertar os alunos como estas atividades poderiam ser executadas de forma cooperativa.

    3. O ensino deve provocar situações que sejam desiquilibradoras para o aluno, desequilíbrios esses adequados ao nível de desenvolvimento em que os alunos se encontram. O ensino tem que ser baseado no ensaio e no erro, na pesquisa, na investigação, na solução de problemas por parte do aluno, e não na aprendizagem de fórmulas, nomenclaturas, definições,etc.

      Várias tipos de atividades foram realizadas durante o semestre.

      No primeiro grande tema discutido, meios de transmissão (cabos e comunicação sem fio, os alunos deveriam pesquisar sobre o tema em questão e elaborar páginas que refletissem o conhecimento adquirido. Nenhuma explanação prévia foi realizada pelo professor.

      Como o tempo de acesso a Internet era muito ruim, foi disponibilizada aos alunos, uma lista contendo diversos sites que possuíam material sobre o assunto. Desta forma, o aluno poderia agilizar seu trabalho. Para grande surpresa, a maioria dos trabalhos apresentados, eram um resumo ou uma cópia dos trabalhos constantes no repositório de dados da máquina penta.ufrgs.br. Na visão dos alunos, este repositório apresentava o material completo e em português, não havendo a necessidade de buscar novos textos.

      Na tentativa que os alunos buscassem mais informações, foram colocadas uma série de perguntas para complementação do tema. As respostas destas perguntas não se encontravam no repositório de dados da máquina penta. Porém, foram poucos os alunos que responderam esta complementação.

      O tema seguinte, modulação, multiplexação e comutação, foi apresentado aos alunos na forma de aula expositiva, pois por problemas na linha de comunicação, os alunos não podiam acessar a Internet.

      Para discutir sobre modens a estratégia foi alterada. Foi solicitado aos alunos:

      • a elaboração de uma página html sobre modens. Foram indicados os assuntos que seriam importantes de serem abordados;
      • a indicação de links interessantes sobre o assunto;
      • a definição dos tipos de modens adequados para alguns casos especificados.

      Neste momento, os alunos possuiam linhas que poderiam ser utilizadas para iniciar a pesquisa e alguns exemplos onde eles teriam que relacionar a teoria com o prática. A definição de tópicos a serem pesquisados foi uma tentativa de forçar os alunos buscarem um conhecimento mais amplo e não restringir a pesquisa aos primeiros sites pesquisados. A definição de modens para alguns casos práticos, foi a tentativa de forçar os alunos conhecerem os modens disponíveis no mercado relacionando-os com aplicações práticas.

      Analisando os trabalhos efetuados, pode-se constatar que os alunos não tinham evoluído da parte teórica e que, do material consultado, o repositório da penta.ufrgs.br continuava sendo o mais utilizado.

      O próximo assunto abordado foram os códigos de correção e detecção de erro. Para que os alunos percebessem qual a finalidade destes códigos e como eles são utilizados, a estratégia de apresentação foi novamente alterada. O professor disponibilizou um texto explicando o funcionamento das técnicas principais. Foram propostos exercícios onde os alunos deveriam aplicar todas as técnicas apresentadas e determinar quais as situações onde estas técnicas falhariam. Os resultados, que pela primeira vez puderam ser considerados como satisfatórios, foram enviados através de e-mail para a lista da disciplina.

      Para estudar os problemas que podem ocorrer na transmissão de dados foi proposto um desafio: determinar quais os tipos de distorção e ruído afetam os meios de comunicação estudados (cabo coaxial, par trançado, fibra ótica, satélite, microondas, etc...). Com esta tarefa, os alunos teriam que entender o que é ruído e distorção, relacioná-los com os meios de transmissão e ainda retornar aos conceitos dos meios de comunicação de dados.

      Esta tarefa que era cooperativa, isto é, deveria resultar em apenas uma página html desenvolvida por toda turma, também não obteve muito resultado. Os alunos preocuparam-se em encontrar respostas prontas e não realizaram relações entre os conteúdos abordados.

      Para abordar a parte básica de redes de computadores (hardware, software, estrutura do modelo OSI , estrutura do modelo TCP/IP e serviços de comunicação de dados) optou-se em apresentar alguns conceitos e solicitar a formulação de outros através da utilização do mural eletrônico. O resultado foi o mesmo apresentado nos trabalhos anteriores: cópia de conceitos.

      O problema proposto no estudo dos equipamentos de interconexão foi o primeiro trabalho que realmente apresentou resultados. Ao acompanhar o desenvolvimento do trabalho, pode-se acompanhar os estados de desequilíbrio e equilíbrio que os alunos atravessaram.

      O projeto final da disciplina obteve o mesmo êxito alcançado no projeto de interconexão de equipamentos. No projeto final, os alunos definiram um ambiente que necessitasse a implantação de uma rede. Com o ambiente determinado, os alunos projetaram a rede ideal, abrangendo os meios de comunicação necessários, modens, equipamentos de interconexão, serviços de comunicação de dados e sistema operacional de rede.

    4. O professor deve propor problemas aos alunos sem ensinar as soluções, provocando desequilíbrios e desafios e fornecendo autonomia para seu desenvolvimento.

      Conforme o que foi descrito no ítem anterior, todas as atividades propostas pelo professor possuíam o intuito de provocar desafios.

    5. Piaget [PIA 70] admite que existem duas fases na aquisição do conhecimento:

      • fase exógena: fase de constatação, da cópia, da repetição;
      • fase endógena: fase de compreensão das relações, das combinações;

      Analisando as fases exógenas e endógenas, pode-se perceber que na implantação do projeto, a fase exógena predominou.

      De modo geral, se for analisado o período de desenvolvimento do projeto (agosto a dezembro de 1997), pode-se generalizar que as atividades desenvolvidas no período de agosto a outubro pertenceram a fase exógena. No período de novembro a dezembro, período em que foram realizados o projeto de interconexão de equipamentos e o projeto final, as atividades desenvolvidas caracterizaram as fases exógena e endógena.

      Por outro lado, se for analisado o desempenho individual dos alunos, pode-se afirmar que 7 (sete) dos 24 (vinte e quatro) alunos passaram pelas duas fases durante todo o semestre.

    6. A avaliação deverá verificar se o aluno adquiriu noções, conservações, realizou operações, relações, etc. O professor deverá considerar as soluções erradas, incompletas ou distorcidas, já que a interpretação é realizada de forma qualitativamente diferente nos estágios do desenvolvimento humano.

      A avaliação é a questão mais difícil de ser analisada. Além da mudança natural que deve ocorrer devido a troca de metodologia, onde novos critérios de avaliação devem ser definidos.

      No primeiro dia de aula os princípios básicos da avaliação foram discitidos com os alunos:

      • a disciplina será avaliada pelos trabalhos realizados em aula e extra-classe. A disciplina não terá provas nem exame.
      • o aluno no final da disciplina deverá atingir média igual ou superior a seis.
      • é importante ressaltar que todo o trabalho apresentado pelo aluno deverá ser uma síntese própria. Os trabalhos que forem copiados, seja de colegas ou de qualquer outra fonte, não serão considerados, serão avaliados com nota zero).
      • todo o trabalho realizado pelos alunos deverá constar as referências bibliográficas, sejam elas livros, revistas, periódicos ou material extraído da Internet.

      O objetivo principal destes critérios era avaliar o aluno de acordo com seu desempenho durante o semestre. Para tentar garantir que todos os trabalhos apresentados fossem resultado do desenvolvimento do aluno, foram acrescentados os dois últimos critérios.

      Como o desenvolvimento do semestre ficou aquém do esperado, pois muitas idéias apresentadas eram meras cópias, a forma de avaliação foi repensada. Se o terceiro critério (zerar trabalhos copiados) fosse aplicado, mais de 90% da turma não seria aprovada.

      Optou-se em atribuir pesos diferenciados para cada atividade realizada no semestre:

      AtividadePeso na média final
      Cabos: Tarefa 10,5
      Cabos: Tarefa 21
      Cabos: Tarefa 30,5
      Transmissão sem fio1
      Modens1,5
      Equipamentos de Interconexão1,5
      Projeto Final2
      Contribuições nos murais2

      Com exceção da atividade contribuições no mural, a avaliação individual das atividades foi realizada de acordo com a seguinte fórmula:

      • Avaliação individual dos trabalhos: Nota * Peso Média, onde:
      • Nota (1 a 10):
      Ítem Pontuação
      Conteúdo 3-Ótimo 2-Bom 1-Fraco
      Síntese 3-Ótimo 2-Bom 1-Fraco
      Fontes de pesquisa 3-Ótimo 2-Bom 1-Fraco
      Pontualidade 1- entrega no prazo 0- entrega não foi no prazo

      A atividade constribuições no mural, foi avaliada pelo número de contribuições postadas. Ao total, foram consideradas 15 contribuições. Por exemplo, se um determinado aluno colaborasse com 13 contribuições, a nota atribuída seria 7,333 e a média desta atividade seria 1,4666 (peso 2 na média final). É importante salientar que todas as contribuições qualificadas como meras cópias não foram consideradas.

      Utilizando estes critérios, as notas finais obtidas foram:

      ConceitoMédia finalNúmero de alunos
      00 a 5,97
      16 a 6,99
      27 a 7,93
      38 a 8,95
      49 a 100

    3 Conclusão

    A era da informação está influenciando de modo direto a vida dos homens. A necessidade de obter a informação com qualidade e rapidez é uma necessidade urgente.

    A escola tradicional não encontra mais espaço no mundo atual. É necessário realizar uma séries de modificações para que a educação forme pessoas capazes de viver na nova era.

    Os princípios construtivistas constituem uma metodologia de ensino adequada para os novos tempos. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas na implantação deste projeto, é incontestável as vantagens que a alteração na metodologia de ensino proporciona para alunos e professores.

    As maiores dificuldades percebidas neste processo são:

    Ao realizar uma avaliação sobre o trabalho desenvolvido durante o semeste, os alunos aprovaram as modificações:

    "Achamos que estas aulas proporcionam maior envolvimento do aluno com os assuntos tratados em aula. A forma interativa de obtermos acesso as informações trás mais interesse pela pesquisa. Desta forma podemos aprender de maneira "prática", o que faz com que as aulas não se tornem tão cansativas."

    "Conforme prometido, apesar de bastante atrasado, envio algumas observações pessoais sobre as aulas de TP e a metodologia proposta. Admito que inicialmente fiquei um pouco perdido nas aulas, pois, algumas coisas foram totalmente novas e permitiram além do contato com o estudo proposto, algumas constatações interessantes. Os principais pontos são:
    Com relação a utilizar o computador e a Internet como material de aula, percebi que temos talvez nem todos tenham uma necessidade de informação palpável e não "volátil", ou seja, segurar o livro, marcar a página, sublinhar o texto, etc; coisas que até podem ser feitas na tela do computador, a não ser segurar o livro, e ao menos por enquanto.
    Este fator faz com que a pesquisa seja, pelo menos inicialmente, menos eficiente do que leitura de papel impresso (é claro que todos os que tem esta dificuldade podem imprimir seu material para lê lo posteriormente). Com relação as informações encontradas na Internet, percebe se que não existe por parte dos "autores" um compromisso maior com a exatidão das informações, visto que qualquer pessoa pode escrever qualquer coisa. Ainda, a possibilidade de utilizar "copy & paste", pode em muitos casos suprimir uma parte importante da pesquisa: interpretação e sintese do texto (logicamente, os prejudicados pelo método, serão tão somente os seus usuários).
    Estas observações são necessárias para concluir que apesar da resistência natural de algumas pessoas, este tipo de aula provavelmente venha a se tornar uma padrão e nós como profissionais de informática devemos estar cientes e preparados para esta realidade.
    Na sua cronica publicada na Zero Hora de 12/10/1997, Luis Fernando Verissimo, profetiza: "No Futuro, marido e mulher, conversarão na mesa do café da manhã digitando mensagens em seus terminais e, quando sentirem saudades de ouvir a voz um do outro, conversarão através de seus telefones celular".
    Talvez na aula do futuro, nem mais sala de aula exista, e todos, professores e alunos se encontrarão pela internet, no horário marcado para a aula do dia (ouvi dizer que a PUC de Porto Alegre já tem uma experiência deste tipo em andamento).
    Baseado nestas observações e de volta a nossa aula, acho ótimo que o trabalho seja realizado na Internet para que tenhamos contato permanente com esta inesgotável ferramenta, mas, no tocante a pesquisa é crucial que não abandonemos as bibliografias tradicionais utilizando, então, a Internet como ferramenta de suporte e principalmente como meio de comunicação que é sem dúvida sua maior vocação.
    "

    "Considerei a disciplina de Teleprocessamento, como uma das mais proveitosas das cursadas por mim na UCS.
    O método de ensino, com computadores disponíveis para os alunos, com acesso direto na internet para pesquisa, abriu e auxiliou o aprendizado dos alunos, bem como as questões abordadas e discutidas após o estudo dos tópicos.
    NOTA : 9
    "

    "Respondendo a sua pergunta da última aula (02/12/97) sobre a avaliação da disciplina, eu acho que as aulas não atingiram o objetivo esperado. O problema não é a professora e nem o método que foi utilizado. O método é bom, o problema é que a maioria dos professores não ministram este tipo de aula. Isto faz com que os alunos se tornem mais "preguiçosos", pois recebem toda a matéria prontinha nas mãos e, no momento em que se vêem obrigados a pesquisar sobre os assuntos vistos em aula, não conseguem fazer. Se nós, alunos, já estivéssemos acostumados com este tipo de aula, certamente, as suas aulas teriam sido produtivas e teriam alcançado os seus objetivos. "

    "Eu acho que as aulas poderiam ter sido mais proveitosas se as fontes de pesquisa fossem mais claras e objetivas, para evitar o disperdício de tempo na procura dos assuntos propostos e o conteúdo fosse dado em aula por escrito.
    Este método propõe que o aluno pesquise e responda as questões em horário de aula e principalmente extra classe, mas o tempo extra classe da maioria dos alunos é pouco e tem que ser dividido com outras matérias.
    Por isso sugiro que se o método continuar em vigor seja repensada a quantidade de trabalhos propostos, porque vale mais a qualidade do que a quantidade.
    "

    "A proposta do modelo de aula no estilo que tivemos oportunidade de realizar neste semestre foi muito proveitosa em diversos aspectos, como:

    • Eliminação de material escrito ( cadernos );
    • Trabalhos com o auxilio da Internet;
    • Aplicação de Hiper Textos (html);
    • Estudo Teórico Prático de redes, conexões e tudo mais;
    • Debates de assuntos importantes em aula ( amplia a visão do conteúdo);
    • Dinamismo por parte da professora e tambem dos alunos em relação ao número de tópicos abrangidos;
    Finalizando, observei que talvez tenha faltado uma aplicação ou implementação prática, apesar que particularmente estou tendo oportunidade de realizar e aproveitar muitos dos conceitos desenvolvidos neste semestre atraves desta disciplina e da de Redes. "

    " Com relação a o que achei da aula de teleprocessamento ....
    No início do semestre achei a aula pouco proveitosa. Pois não estava habituado a um trabalho assim com pesquisa na internet em cada aula (mal sabia usar a internet), não tinha nenhum conhecimento da matéria vista em sala de aula. Tudo isso dificultou muito a adapação ao novo sistema.
    Ao meu ver se a aula fosse do modo tradicional, eu teria mais facilidade em assimilar o conteúdo dado em aula, mas teria ficado só nisso, não teria aquele "pouquinho a mais " conseguido na internet.
    "

    No primeiro semestre de 1998 será ministrada a disciplina de Redes de Computadores (possui como pré-requisito a disciplina de Teleprocessamento).

    Na disciplina de Redes de Computadores será utilizada a mesma metodologia de ensino. Com a experiência adquirida em Teleprocessamento, tanto o professor quanto os alunos estarão mais maduros para consolidar o novo trabalho, aperfeiçoando-o na medida do possível. Algumas alterações já foram previstas:

    4 Referências Bibliográficas

  • [CAR 97]
    CARRETERO, Mario. Construtivismo e Educação. Editora Artes Médicas, Porto Alegre, 1997, 98p
  • [FAG 97]
    FAGUNDES, Léa da Cruz. A Inteligência Coletiva - A Inteligência Distribuída, Revista Pátio,Ano 1, Nº 1, p 15-17, Maio/Julho de 1997
  • [HAR 97]
    HARASIM, L. Network Learning: What have we learned and what does it mean? AERA 1997, Chicago, IL.
  • [LUC 95]
    LUCKESI, Cipriano; BARRETO, Elói; COSMA, José; BAPTISTA, Naidison. Fazer Universidade: Uma Proposta Metodológica, Cortez Editora, São Paulo, 1995, 231p.
  • [OTS 97]
    OTSUKA, Joice Lee; TAROUCO, Liane M.R. Proposta de um Sistema de Apoio à Aprendizagem Colaborativo Baseado no WWW. Trabalho apresentado SBIE’98.
  • [PIA 57]
    PIAGET, Jean. Desenvolvimento do Pensamento: Equilibração das Estruturas Cognitivas,Editora Dom Quixote.
  • [PIA 70]
    PIAGET, Jean. Psicologia e Pedagogia, Editora Forense, Rio de Janeiro, 1970.
  • [STE 97]
    STEINER, Virginia. What is Distance Education? Disponível em: http://www.fwl.org/edtech/distance.htm (16 Ago. 1997).
  • [VAL 97]
    VALENTE, José Armando. O Uso Inteligente do Computador na Educação, Revista Pátio, Ano 1, Nº 1, p 19-21, Maio/Julho de 1997
  • [WAZ 93]
    WAZLAWICK, Raul Sidnei. Um Modelo Operatório para Construção de Conhecimento, Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 1993, 165p.