Na abordagem
do "behaviorista" (ou comportamentalista) Burrhus Frederic Skinner o conhecimento
é resultado direto da experiência.
A ação do Behaviorismo constitui-se em "processos por meio dos quais o comportamento
humano é modelado e reforçado, implicando em recompensa e controle, assim como
o planejamento cuidadoso das contingências de aprendizagem, das sequências de
atividades de aprendizagem e da modelagem do comportamento humano, a partir
da manipulação de reforços, desprezando os elementos não observáveis ou subjascentes
a este mesmo comportamento" (Giraffa, 1995).
Segundo Skinner, que criou o " ENSINO PROGRAMADO", as pessoas aprendem mais
facilmente quando o conteúdo é apresentado em "unidades discretas", isto é,
pequenos módulos e quando recebem um feedback imediato, indicando se o aluno
teve ou não sucesso. Skinner institui a categoria de "estímulos", que são mecanismos
que agem de maneira a provocar uma reação no indivíduo, neste caso a melhoria
da aprendizagem.
Skinner institui o conceito de diferentes tipos de estímulos que atuam no condicionamento
operante:
estímulo neutro - é o que não tem nenhum efeito sobre o comportamento
do indivíduo, isto é, a ele não foi associado nenhum reflexo. Por exemplo, uma
placa de automóvel verde com uma tarja vermelha, pode ser um estímulo neutro
para as pessoas que não souberem da convenção que trata-se do carro de uma pessoa
deficiente auditivo, e não despertará nenhum comportamento diferenciado com
relação àquele carro.
estímulo reforçador - conceito-chave na teoria de Skinner, é o processo
pelo qual um comportamento é reforçado de acordo com suas consequências, é o
estímulo dado após o comportamento e pode ser positivo e negativo.
estímulo
reforçador positivo - é o estímulo que o organismo procura obter e que aumenta
a probabilidade que o produz, busca manter um comportamento aprovado. Exemplo:
ganhar um prêmio quando faz o que se quer.
estímulo reforçador negativo - é o estímulo que o organismo procura evitar
ou se ver livre, que reforça o comportamento que os remove. Exemplo: uma criança
que fica incomodando na aula para chamar a atenção da professora. Esta não deve
dar atenção ao aluno até que ele pare com suas atitudes impertinetes, neste
momento ele será atendido pela professora com carinho.
Num ambiente de ensino
e aprendizado pode-se usar o Behaviorismo como incentivo à maior motivação.
A seguir apresentamos esquemas tirados do livro " Teorias da Personalidade",
no capítulo " B.F.Skinner e o Behaviorismo Radical", p.187-220, que apontam
para as vantagens e desvantagens desta linha didática.
Ensino Programado
vantagens:
É o ensino programado com uso de computadores que interagem com o aluno. A seguir
transcreveremos as características e melhorias que este método pode atingir
até o momento atual. Apesar do uso de softwares educativos complexos ainda não
representarem uma prática usual e difundida em nosso meio, as possibilidades
tecnológicas já existem.
A seguir transcreveremos parte de uma situação de ensino com computador:
"O computador está usando um programa desenvolvido antes para cursos destinados a escritores calouros na Universidade de Stanford. Nesse caso o estudante descreve-se como "alguém que jamais escreveu poesia".
Computador: Oi! Como te chamarei hoje?
Estudante: Gail.
Computador: Está bem, Gail, desta vez falaremos sobre o que você pode e não pode ver, ouvir, tocar, provar e sentir. Você acabou de tocar o terminal do computador. Que tal lhe parece?
Estudante: Parece plástico e aço, cinzento e resmungão.
Computador: Ótimo. Agora, diga-o de forma diferente. Parece...
Estudante: Fios de aço roçando a extremidade de meus dedos.
Computador: Bom. E além disso? Parece...
Estudante: Um ruído vindo do nada ressoando numa sala vazia.
Computador: Acredite ou não, você acabou de escrever um poema. Ei-lo:
O terminal
Como plástico e aço, cinzento e resmungão.
Como fios de aço roçando a extremidade de meus dedos.
Como um ruído vindo do nada ressoando numa sala vazia.
Computador: Você quer mudar o poema para melhorá-lo?
Estudante: Sim.
Computador: Bom. Use as três próximas linhas para datilografar suas mudanças.
Estudante: Cinzento e resmungão, o terminal roça meus dedos.
Fios de aço cobertos de cinza.
Ruídos vindos do nada cantam em salas vazias.
Estudante: Claro que sim. É legal.
Computador: Bom. É outono e você anda pelo bosque. Que cores você vê?
Estudante: Amarelo, marrom, manchas de rosa e vermelho, céu azul.
Computador: O que te recordam o amarelo, marrom, manchas de rosa e vermelho e céu azul?
Estudante: Um vaso pintado por uma carruagem do sol.
Computador: Caminhar pelo bosque pode levar a pensar em idéias abstratas, tais como a morte, mudanças, beleza ou ciclos. Você pode pensar em algo mais? Datilografe- o.
Estudante: Renovação, quietude, deslumbramento, silêncio.
Computador: Como você se sente quando pensa em renovação, quietude, deslumbramento, silêncio?
Estudante: Admirada diante da beleza perfeita do desconhecido.
Computador: Você gostaria de escrever um pequeno poema, Gail?
Estudante: Certamente.
Computador: O.K. Uma sugestão é datilografar três linhas usando as cores amarelo, marrom, manchas de rosa e vermelho, céu azul, que você mencionou, renovação, quietude, deslumbramento, silêncio, suas idéias abstratas, e os sentimentos que você tem a respeito de renovação, quietude, deslumbramento, silêncio.
O poema de Gail
Amarelo como trigo morrendo para ser renovado em pão.
Marrom da terra viva mesmo no silêncio e na morte.
Silêncio só quebrado em certos momentos pelo sussurro das folhas vermelhas caindo.
Computador: Lindo, Gail!
Behaviorismo, Arte e Computador
Pensando na aplicação do Behaviorismo no ensino de Artes Visuais através do uso do computador...
Num primeiro momento tive imensa dificuldade de imaginar uma proposta didática para o curso de artes usando o Behaviorismo. Não entendia por quê?
Um dia, dando aula, ao explicar para uma aluna que uma das funções da arte na sociedade contemporânea é propor novos pensamentos sobre objetos, situações e conceitos, ampliar as leituras, gerar novos significados, em última análise descondicionar.
Quando falei isso eu mesma me surpreendi, porque descobri porque não conseguia pensar em Behaviorismo em Artes!
Para Luigi Pareyson, o influxo da arte sobre a sociedade baseia-se na relação entre o artista e o público como essência constitutiva da arte:
" A arte realiza o mais difícil conceito de socialidade, porque ela fala a todos, mas a cada um de seu modo, e assim assegura uma universalidade através da individualidade e institui uma comunidade através da singularidade (...) De resto, o próprio juízo estético está bem longe de excluir qualquer outra forma de fruição, intelectual, moral, utilitária ou qualquer que seja, porque antes inclui a todas, quando existem, e delas se nutre, se enriquece e tira partido. (...) a arte enobrece e eleva o ânimo e os costumes, a ponto de ser considerada, na sua pura qualidade de arte, como condição indispensável de civilização e fator importantíssimo da educação, porque, livre da feroz rede das necessidades e dos interesses, dispõe o ânimo para o desinteresse, para a contemplação, para o reconhecimento, para a atenção e o introduz nos altos cumes da vida espiritual".
Além da arte possuir alto carácter comunicativo, atingindo todos homens, de
diferentes naturalidades e de diferentes épocas.
Com o movimento modernista da história da arte, a partir do início do século XX, a arte se liberta da função de representar coisas fora sua essência, isto é, até este momento histórico a arte estava, de forma generalizada, sempre a serviço do Estado ou da Igreja. Tinha sua função de comunicar o que os órgãos do poder desejavam, era chamada "a Bíblia dos iletrados". O movimento moderno rompe esses laços e a arte passa por longo período de se auto estudar, buscando sua identidade autônoma. Um longo período de experimentação e reflexão.
A arte assume um carácter mais instigador, busca provocar no seu espectador uma reação, funcionando como estímulo. E nesse sentido se assemelha ao Behaviorismo só que vem na sua contra-mão: objetivando questionar conceitos, costumes e comportamentos devidamente aprovados e reforçados pela sociedade.
O Dadaismo, movimento artístico também chamado por alguns autores de anti-arte, precursor do Surrealismo, caracterizou-se por se ocupar em desmanchar coisas estabelecidas. Incomodava muito, e até hoje ainda incomoda por ser de difícil compreensão. Temos em Marcel Duchamp um grande expoente, que reflete sobre a função da arte e sua forma de apresentação junto ao público. Valorizava a beleza estética contida nos objetos comuns, como uma élice de avião, que entendia como uma escultura perfeita. Nesta linha Duchamp seguiu mostrando que os objetos do cotidiano podiam adquirir outros significados que não só o único a eles atribuídos na vida real. Na imagem que se segue Duchamp elege um banco comum e uma roda de bicicleta como os elementos que irão constituir um novo objeto, ainda sem significado, destruindo as associações anteriormente ancoradas sobre cada um dos objetos individualmente, além de os elevar a uma nova dimensão: a de obra de arte, visando provocar nos observadores pensamentos novos sobre eles.
De acordo com o raciocínio que a arte provoca descondicionamentos, o ensino
da arte não é formador de profissional. É visto como um processo aberto, que
busca apenas orientar e motivar o aluno a se permitir passar por experiências
que devem levá-lo a desenvolver seu próprio processo criativo. Penso que podemos
usar alguns pressupostos do Behaviorismo, como de estímulos e reforços positivos
para justamente desbloquear as mentes. Por exemplo, a criança quando chega à
"idade da razão", por volta dos sete anos de idade, começa a perder o valor
poético de seu desenho, que se torna estereotipado, muitas vezes reforçado por
ações das próprias professoras que valorizam desenhos de "sol" representado
como um quarto de círculo num dos cantos superiores da folha de papel, com muitos
riscos no sentidos de raios da circunferência, a casinha que é um retângulo
com portas e janelas desproporcionais, telhado achatado, as flores maiores que
as pessoas, que por sua vez são "mariquitas", coelhinhos bochechudos e pássaros
em forma de "m" no céu. Sabemos que o bloqueio artístico acontece porque a criança
começa a trabalhar mais com o lado esquerdo do cérebro, que é o racional, ao
aprender os códigos criados pelo homem como o escrita e a matemática. Como uma
falha do nosso ensino de primeiro grau (a lei também não apoia), o tempo dedicado
às atividades artísticas é diminuído, chegando a ser extinto em alguns momentos,
por ser considerado de menor importância. Esta visão estreita não compreende
que estamos entrando no terceiro milênio e precisamos de mentes inteiras, isto
é, com os dois lados do cérebro funcionando juntos! O desenho do adulto normalmente
equivale ao desenho da crainça aos doze anos, fica estagnado lá. Quando o aluno
entra no curso de artes, precisamos proceder este desbloqueamento e liberá-lo
para poder seguir desenvolvendo sua criatividade. Deve aprender a usar os dois
lados do cérebro. Acredito na possibilidade de se criar programas de computador
que levem o aluno a descondicionar. Por exemplo, quando uma criança faz um desenho
estereotipado do sol, e nos mostra pedindo elogios ( pois os obteve com a professora
na escola que lhe ensinou a fazer aquele "sol"), podemos levá-la até a janela
e estimulá-la a obervar a luz do sol, como a criança está vendo o sol e tentar
representá-lo à sua própria maneira. Usando o computador o aluno pode desenhar
e enviar seu trabalho para análise do professor ou simplesmente como meio de
divulgação, ou, ainda desenho em cadeia, com a interferência dos demais alunos
sobre um mesmo desenho.