O mundo das comunicações está em constante movimento. Novas tecnologias são introduzidas e as antigas devem se adaptar ou tornar-se obsoletas. Desde que surgiu a rede mundial internet, e a primeira versão do procotolo IP foi desenvolvida, o poder de processamento das máquinas cresceu muito e o número de máquinas conectadas à rede cresceu de algumas centenas a 4 milhões. A versão 4 do IP conseguiu acomodar todas as mudanças e continou se tornando cada vez mais popular, embora não tenha sido originalmente projetado para dar suporte a uma rede de escala universal ou que permitisse aplicações multimídia [NIE 96]. A necessidade de um upgrade começa a aparecer aqui.
Em 1991, membros do IETF (Internet Engineering Task Force) chegaram à conclusão de que o crescimento exponencial da rede levaria à exaustão dos endereços IP até o final do ano de 1994. Isso se as tabelas de roteamento simplesmente não esgotassem toda a capacidade dos hardwares de roteamento da época.
Essa crise foi superada a curto prazo com a adoção do CIDR (Classless Inter-Domain Routing), que consistia resumidamente em dar blocos de endereços IP Classe C contíguos a regiões do planeta (Europa, Ásia, etc), e essas regiões dividiriam seus blocos em blocos menores, mas ainda contíguos, até que todas as redes tivessem seus endereços. Com o uso de máscara de rede, os roteadores usavam uma máscara para endereçar todo um bloco de endereços e assim conseguiam diminuir a tabela de roteamento [TAN 96].
Mas o CIDR não seria uma solução duradoura, outra deveria ser projetada a longo prazo e que tivesse uma duração maior. Um novo protocolo precisava ser desenvolvido em substituição ao IPv4. Uma proposta foi a adoção do CLNP [TAN 96], que tem um espaço de 160 bits para endereçamento. Entretanto, além de não suportar serviços multimídia como desejado, por ser uma solução OSI não foi bem quista por alguns elementos.
Em 1993, o IESG (Internet Engineering Steering Group) criou um grupo de trabalho para uma nova versão do protocolo IP, o IpngWG ( IP Next Generation Working Group), com base em alguns objetivos que deveriam ser alcançados. O grupo de trabalho, então, selecionou protocolos "candidatos" para a camada de rede da arquitetura TCP/IP. O vencedor foi o SIPP (Simple Internet Protocol Plus) [R&D 95], por diferir menos do IPv4, e ter um plano de transição melhor. Mas uma combinação de aspectos positivos dos três protocolos candidatos foi feita e com isso gerou-se a recomendação para a versão 6 do IP em novembro de 1994.