UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE EDUCAÇÃO

TÍTULO: Avaliação qual seu real objetivo?
ALUNA: Ana Luisa Schulz

PROJETO DE PESQUISA
JUSTIFICATIVA
        Avaliação. "Um conjunto de sentenças irrevogáveis, de juizes inflexíveis, sobre réus, em sua grande maioria, culpados". "São Pedro: O que decide quem entra (ou não) no céu."
        Estas afirmações sobre avaliação, a primeira vista repleta de autoritarismo, simplesmente, revelam nas entrelinhas uma questão muito mais complexa: não se sabe como avaliar! A definição do termo, para a maioria, é obscura, não evidencia seus objetivosm, não define sua prática e utilizaçào.
        Utilizada durantre muito tempo como objeto de tortura e ameaça do professor onipotente perante seus alunos, a avaliação ve assumindo, nos últimos anos, uma postura mais consciente diante da educação escolar. Uma avaliação mediadora, que precisa levar emconta a construção do conhecimento do indíviduo, a maneira com que este pensa, sendo bem formulada, com objetivos bem traçados.
        É preciso reflexão teórica sobre tal polêmica. Nada mais "escolar"que avaliação. Mas, para que utilizá-la?
        Não se pode atribuir à avaliação simplesmente uma carga númerica, baseada nos príncipios de "estímulo-resposta"referidos por Skinner. Precisamos de seres pensantes, com capacidade de produção de conhecimento. E a avaliação precisa acompanhar este pensamento e igualmente refleti-lo.
        A classe educadora sabe como fazer isto?
OBJETIVOS
        Definição de termos referentes à avaliaçào, conforme atuantes no ensino, em diversos nívies;
        A constatação da falta de referencial teórico prático no que se refere a avaliaçào prática diária;
        Identificação da legislação vigente e metodologia de avaliação utilizada em escola de ensino fundamental a ser pesquisada;
        Definição da postura do professor atuante nesta escola perante os métodos avaliativos desta, bem como sua experiência e opinião diante destes métodos;
        Fundamentação teórica da pesquisa, para esclarecimento e alicerçamento do material colhido em pesquisa.
METODOLOGIA
        A realizaçào da pesquisa se dará:
        Através de coleta de material com profissional atuante em escola de ensino funadamental, para obtenção de dados específicos relativos aestrutura e funcionamento da avaliaçào nesta escola. Engloba a legislação vigente sobre a qual a avlaição está fundamentada, critérios avaliativos e critérios de aprovaçào do aluno;
        Através da elaboração de questionário, que será devidamente respondido por professor atuante nesta mesma instituiçào de ensino, para a verificação do funcionamento prático desta avaliação bem como identificação de possíveis pontos polêmicos e/ou duvidosos;
        Através da elaboração de quetionários que serão respondidos por professores de escolas diversas, atuantes no ensino em diversos níveis, para identificar o conhecimento geral da classe educadora sobre termos relativos à avaliação.
   QUESTIONÁRIO 1
        Este será respondido por professores da escola entrevistada, com o objetivo de conhecer-se a prática avaliatória da escola e a interação professor-direção referente a esta

        1. Na sua opinião, qual objetivo da avaliação?
        2. Na opinião da direçào da sua escola, qual o objetivo a avaliação? Você tem conhecimento sobre tal?
        3. Quem elabora as provas que são aplicadas aos seus alunos?
        4. Qual a supervisão feita pelo Serviço de Orientação Educacional ao seu trabalho?
        5. Você acredita que a avaliação, da maneira como esta é realizada em sua escola, é justa e reflete o conhecimento do aluno?
        6. Você concorda com a maneira que é feita a avaliação em sua escola?
        7. Aponte fatores que, na sua opinião, poderiam ser melhorados para refletir uma avaliação mais fidedigna (em termos ténicos, relatvos à escola, e em termos práticos, relativos à sua atuação).
        8. Você tem alguma dúvida sobre sua maneira de avaliar, acredita que pode ser exposto (a) à questionamentos e à mudanças?

QUESTIONÁRIO 2
        A ser respondido por educadores atuantes em escolas diversas, no ensino fundamental.
        Defina, com suas palavras, os seguintes termos, conforme seu entedimento:

        1. Teste
        2. Medida
        3. Avaliação


MARCO TEÓRICO OU ÂMBITO TEMÁTICO
        A palavra avaliação traz consigo inúmeras dúvidas para educadores.
            O advento de novas concepções de ensino e novas tend6encias educacionaisd, evidencinado o construtivismo, faz com que surja uma ação reflexiva em torno da temática avaliação. A disseminaçào desta teoria de aprendizado, protagonizazada por Piaget, provoca uma falta de referencial quando se analisa avaliação, seus significados, técnicas e objetivos.
        Diante de uma nova postura educacional, que propõe a visão do aluno como um ser pensante, que constrói seu conhecimento, a dicotomia entre esta educação transformadora e a avaliação basicamente quatitativa proposta pelas escolas é inevitável.
        Este discurso inovador, em sua essência, é idealizador. Porém, muitas vezes não há a realção da teoria com a prática. como fazer esta associação com a prática diária vivenciada pelos educadores? Como produzir uma avaliação mais justa e qualitativa diante da realidade escolar atual?
        O grnade anseio da classe educadora que busca esta renovação gira em torno desta temática.

        Como avaliar melhor?
        Para uma evolução neste sentido, é necessário que uma reformulaçào do pensamento global diante da avaliação, redefinindo sua prática, vivências e objetivos.
        Apresentar-se-á, neste âmbito temático, uma condensação de propostas inivadoras, sugerindo uma rumo de atuação, a partir de revisào bibliográfica e análise prática.

        A realidade atual das escolas
        Percebe-se que a realidade vigente nas escolas, em sua maioria, assume a avaliação como meio e fim em si mesma. O meio de se quantificar o conhecimento do aluno, com a finalidade de se obter um conceito, atribuíndo ao aluno a aprovação ou a reprovação.
        Esta postura faz com que o termo avaliação seja atrelado a palavras negativas, se tornando objeto de tortura e terror na vida escolar (Hoffmann, 1991).
        O professor precisa atribuir o conceito, pois a metodologia da escola lhe exige a tal. Então avaliar se torna um pesadelo, e cumprir esta tarefa o mais rápido possível representa um alívio para o educador (Hoffmann, 1993; Freire, 1994).
        A avaliaçào é muito subjetiva, nào tem critérios pré - estabelecidos, depende da opinião pessoal do educador (Demo, 1996; Esteves, 1973).
        Isto ocorre porque os professores não têm entendimento sobre o real significado da avaliação e para que esta se propõe. Confundem conceitos relativos a esta prática, revelando este desconhecimento (Hoffmann, 1993).
        Como ponto de partida a esta questão apresentada acima, acredita-se ser necessário conhecer o verdadeiro signnificado da a valiaçào, através:
# da diferenciação dos termos teste, medida e avaliação.
# da dissociação dos termos avaliação e conceito/nota.
# da associação dos termos avaliação e educação.
# a partir destas mudanças, promover uma educação libertadora.


Diferenciação dos termos teste, medida e avaliação
 
        Na dissociação e atribuiçào de conceitos corretos a estes termos está umd os grandes problemas da avaliação escolar. Empiricamente, aplica-se o termos "medir" para referir-se "ao quanto o aluno aprendeu" e avalia-se concluindo se este "quanto é suficiente para a aprovação", baseados em critérios subjetivos do professor (Esteves, 1973).
        Mas qual a diferenciação destes, afinal?
        Ao termo "medida" atribui-se uma conotação quantitativa. Pode-se medir extensão, comprimento, quantidade, volume. É expressa em escalas ou graus númericos. Valor direto, atribuído em números (Hoffmann, 1991).
        "Testar significa verificar alguma coisa através de uma situação previamente arranjada, denominada teste" (Esteves, 1973). Pode-se testar a eficiência de um motor, o condicionamento físico de um indíviduo. Os testes, por definição, são instrumentos indiretos de medida, não existe um aparelho que meça condicionamento físico, por isto são criados testes subjetivos para a verificação de tal.
        Conforme Hoffmann (1991), o termo "medida" em educação adquiriu uma conotação ampla e difusa, pois os professores atribuem valores diretos para termos indiretos. Nem tudo pode ser medido. Não se pode, por exemplo, medir o nível de comprometimento e esforço do aluno, pois estes são subjetivos, mas pode-se medir a frequência. Ainda não foi inventada a "régua de medir esforço", mas existem muitos professores que atribuem nota exata para participação, descontam pontos dos alunos "mal-educados" e até reprovam por incompatibilidade de afetos e opiniões.
        É nesta complexidade em atribuição de valores que se torna necessário um entendimento amplo sobre o siginificado de avaliação. Avaliar, mais do que simplesmente atribuir conceitos quantitativos, através de testes e medidad, significa promover uma relação qualitativa, onde o conceito final é fruto de experiência partilhada na convivência diária aluno-professor e não na relação direta, medindo o conhecimento (é possível?) através de um teste.
Dissociação dos terrmos avaliação e conceito
        Após a reflexão em cima dos termos que se referem à avaliação, é necessário que esta deixe de ser simplesmente uma obrigação do professor. Deve deixar de ser somente tarefa cumprida, conceito a ser dado. A partir do momento em que o educador começar a admitir a avaliação como parte de sua vivência diária, instrumento responsável pela qualidade de seu ensinamento, estes termos se dissociam. A avalaição assume um significado mais profundo, aproximando os ideias da prática (Saul, 1988).
        Porém, não é tarefa fácil. A imagem do professor está associada a um mito, que nào é passível de erro, possuidor da verdade inquestionável. Esta referência precisa ser modificada e o professor precisa assumir o papel de questionador e problematizador da criança, para que esta evolua no processo de aprendizagem. O conhecimento deve ser mútuo, e não unilateral. (Franco, 1995).

Associação dos termos avaliação e educação
 
        É necessário avaliar constantemente a ação educativa, para que o discurso não seja somente teórico e a prática pouco se assemelhe com este.
        Dentro de uma perspectiva inovadora, que não atribui à avaliação simplesmente a tarefa de designar conceitos, o educador de ve modificar sua visão sobre a avalaição. Esta deixa de ser somente uma de suas obrigaçòes, que deve ser cumprida, para se tornar o padrão norteador de sua prática educacional.
        O professor passa a experimentar uma avaliaçào conjunta de seus alunos, sendo também passível de erro, e promovendo o desenvolvimento do racíocinio da criança, arendendo junto com com ela como acontece a construção do conhecimento.

Promovendo a Educação Libertadora
         Uma educaçào libertadora a partir da queda de conceitos errôneos sobre avaliação. Quando esta se torna prática diária do educador, quando este professor deixa de ser um mito, assume sua função e entende como se dá o processo de contrução do pensamento da criança é que se pode trilhar os primeiros metros de um grande caminho rumo a um educação mais condizente com os discursos teóricos conhecidos no meio educacional.
        Para que seja contruída esta avaliação, é necessário que os estágios de desnvolvimento e construção do pensamento da criança, sejam respitados e seguidos pelos educadores.
        A questão avaliativa tem preocupado a classe educadora em geral, e pode-se perceber que muitas mudanças estão sendo feitas.
        Conforme a nova LDB, publicada em vinte  e três de dezembro de mil novecentos e noventa e seis, Artigo 24, parágrafo V: "A avaliação contínua e cumulativa do desmpenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais".
        Percebe-se, através da nova lei, que as propostas e idéias questionadas aqui neste marco teórico já estão, em parte, acontecendo. A predominância dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos revela a preocupação em proporcioanr um ensino de qualidade ao aluno, incentivando este ao raciocínio concreto. A observância dos resultados ao longo do perído estimula a queda do "terrorismo" vinculado à avaliação.
        Pode-se perceber que muitas coisas vem sendo feitas, e muitos especialistas em educação propondo mudanças,  pela riqueza de material teórico a disposição.
        É preciso ver este discurso se refletir na prática, sendo necessário que ocorra um comprometimento mais sério diante destas propostas inovadoras. Discutí-las e aperfeiçoá-las em cursos, mestrados e especilaizações é tarefa relativamente fácil diante do desafio de mudança na prática diárias das escolas. Mas, sem sombra de dúvida, é possível alcançá-las.

BIBLIOGRAFIA
DEMO, Pedro. Avaliação continuada. São Paulo: Autores Associados, 1996.
ESTEVES, B. Testes, medidas e avaliação. Rio de Janeiro: 1973.
FRANCO, Sérgio R. O Construtivismo e a Educação. Porto Alegre: Mediação, 1995.
FREIRE, João B. Educação de Corpo Inteiro. São Paulo: Scipione, 1994.
HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito ou desafio. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1991.
_____________. Avaliação Mediadora. Porto Alegre: Edotora da Universidade, 1993.
SAUL, Ana Maria. Avaliação Emancipatória. São Paulo: Cortez, 1988.
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL. Lei nº. 9394/96.