II. DESCRIÇÃO
DOS DADOS
A ESCOLA CRISTÃ DA BRASA é uma escola particular e
funciona no prédio do Seminário Teológico
Evangélico Dr. Pedro Tarsier, que funciona a noite , na Av.
Florianópolis, 359, Bairro Azenha em Porto Alegre. O prédio
tem 4 salas, 6 banheiros, secretaria, diretoria, sala de professores,
biblioteca, laboratório de ciências, cozinha, sala de orientação
educacional e terraço para uso da escola.
A escola foi formada para atender as necessidades da comunidade evangélica,
mas é aberta a todos que desejarem este tipo de ensino.
Em 1994 e 95 começaram as buscas dos meios de concretizar
o sonho de formar uma escola cristã. O primeiro passo foi a preparação
dos documentos exigidos pela Secretaria Estadual de Educação.
A partir disso, buscaram bibliografias que falassem sobre educação
cristã e de como trabalhar os princípios bíblicos
em cada disciplina. Para isso, participaram de um Curso de
Educadores Cristãos em Campos de Goitacazes, no Rio de Janeiro oferecido
pela JOCUM.
Em
1996, a escola foi autorizada pela Secretaria de Educação
a funcionar com turmas de 1a a 4a séries. Contou com 32 alunos
naquele ano.
Em 1997, passou a funcionar as turmas de 5a e 6a séries.
Neste ano, conta com 80 alunos.
Após a última vistoria, a escola foi autorizada a funcionar
com turmas de 7a e 8a séries em 1998.
A escola tem como referencial teórico a filosofia cristã
e utiliza a metodologia de educação cristã exposta
por Rosali J. Siater , da Universidade da JOCUM
no Havaí , em seu livro “Ensinando e aprendendo a história
cristã americana: o enfoque por princípios bíblicos”,
que consiste no que chamamos de métodos dos 4 Rs . Este é
considerado um método de estudo e investigação a partir
dos quais se pode raciocinar em qualquer área da vida. Todos
envolvidos ,de alguma maneira, com a escola, pais, alunos e docentes,
têm conhecimento e aprovam a filosofia e método da escola.
O regimento foi elaborado na fundação da escola, em 1995,
pelos educadores da Mantenedora ( Ia Igreja Batista de Porto Alegre ) envolvidos
no projeto de formação da escola. Foram organizados
também, o currículo e a disposição das
disciplinas e estipulados os conceitos para avaliação
e a recuperação.
Os professores participam ativamente da vida escolar. Periodicamente, há
reuniões entre direção e professores para acompanhamento
dos trabalhos. há reuniões também com os pais
para estipular metas e expor os alvos alcançados. Quatorze dos dezesseis
docentes são graduados e com capacitação especial
para ensino bíblico. Todos os docentes são cristãos
e têm liberdade na escolha do material didático, tipos
de avaliação e recuperação, elaboração
dos planos de aula e planos de pesquisa dentro dos conteúdos mínimos
estabelecidos pela Secretaria de Educação, acrescida
de disciplinas especiais, como música e inglês a partir
da 1a série. A carga horária é de 20 horas semanais
para os professores de 1a a 4a séries. Para as outras
séries varia de acordo com a disciplina . Todos os professores
são contratados de acordo com a lei e acordos com SINPRO
e SINEPE.
As instâncias decisórias são Direção,
Vice e Secretaria . A Mantenedora não participa
efetivamente das decisões, mas participa com o patrimônio
imóvel. A escola é mantida com os pagamentos das mensalidades
pelos alunos. Não cobra nenhum tipo de ajuda do Governo, pois,
para o cristão, a família é responsável
pela educação.
A direção coordena as reuniões que ocorrem periodicamente
entre direção e professores. Estas são para
prevenir extremismos, nem um afastamento dos princípios cristãos
nem o distanciamento dos propósitos da educacionais.
III.
ANÁLISE DOS DADOS
O pensamento desta escola está de acordo com a chamada para a transformação
da escola atual proposta por Regina Leite Garcia em “Planejamento
e currículo na escola “, mas por outros meios. Como os adotados
por esta escola, por exemplo, que acredita que a sociedade poderá
mudar se os indivíduos mudarem primeiro, já que estes a formam
.
A educação cristã não é anti-social,
pois a lei de Deus, que é perfeita: imutável, justa, confiável
e atual, orienta o homem a acatar suas próprias
leis como regra do bem viver social. Por isso, a escola tem o objetivo
de levar o educando a adquirir conhecimento dentro das normas estabelecidas,
pelos órgãos competentes, para a educação brasileira
, sem , com isto, deixar de lado a qualidade do ensino. Qualidade tão
necessária para o desenvolvimento do indivíduo como
cidadão quanto exigida pelos padrões nacionais. A escola
demonstra o interesse em manter, também, o padrão internacional,
já que têm passado por ela, mesmo com tão
pouco tempo de existência, alunos que estão morando na Europa
e EUA. E, ainda, outros que estão vindo
do exterior para ela.
A escola iniciou seus trabalhos com métodos tradicionais de ensino,
mas, com o tempo, foram adaptando conforme as necessidades de cada aluno
e da própria escola. Buscaram subsídios em Piaget, Vigotski
e outros para compreenderem melhor os processos de aprendizagem e, também,
nas práticas tradicionais para complementar lacunas deixadas pelas
práticas modernas.
Constatei que a escola, embora de filosofia cristã que se
supunha rígida e tradicional, se adequa aos padrões
moderno de educação.
Dentro das normas estabelecidas pelo ECA, no que diz respeito a educação
e cidadania, a escola busca preparar o aluno integralmente para a convivência
em sociedade, esta sendo-lhe favorável ou não. Incentiva-o
a ser o que é e a aceitar aos outros como eles são.
Sem que, com isso, deixe de desenvolver o pensamento
crítico. E, através da reflexão, possa construir bons
argumentos para defender suas idéias e assim poder construir
um mundo mais justo, seguindo o exemplo de vida de Jesus Cristo.
Busca, pelo aconselhamento, conscientizar os pais de suas responsabilidades
no aprendizado dos filhos, na formação moral, no reconhecimento
dos direitos e deveres do cidadão, mesmo enquanto criança.
E, às vezes, tomando medidas mais duras para garantir
ao aluno
segurança contra preconceitos e agressões físicas
ou psicológicas. Procurando assim, assegurar ao educando o respeito
previsto no Artigo 53 da ECA.
Para isso também, a escola possibilita a integração
do aluno a outros grupos sociais através da música, teatro,
visitas a museus e repartições públicas,
por exemplo. E, aos pais, o conhecimento do processo pedagógico
e o direito de optar por outras escolas, caso não concorde com a
proposta pedagógica desta escola e não consiga alterá-la
através de bons argumentos.
Com respeito a LDB especificamente, a escola teve algumas dificuldades
para a compreensão das leis estabelecidas. As dificuldades foram
dirimidas com reuniões organizadas pelo SINPRO e SINEPE
para este fim e com alguns esclarecimentos pedidos a Secretaria
de Educação.
A escola cumpre o que foi previsto para entrar em vigor
neste 1o ano da lei.
Constatei, na escola, o cumprimento das condições previstas
no Artigo 7o da LDB:
Art. 7o . O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas
as seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e
do respectivo sistema de ensino;
II - autorização de funcionamento e avaliação
de qualidade pelo poder público;
III- capacidade de autofinanciamento, ressalvando o previsto no art. 213
da Constituição Federal.
Para cumprir o inciso I, a escola procura conhecer para
cumprir as normas nacionais e do sistema de ensino respectivo.
Estive presente à escola durante a visita dos representantes da
Secretaria de Educação que estavam fazendo as
vistorias para autorizar o funcionamento, estabelecido pelo inciso II.
Não presenciei a nenhuma avaliação de qualidade. A
escola tem capacidade de autofinanciamento em cumprimento
ao inciso III.
Constatei também, o cumprimento dos artigos 12 e 13 , em todos
os seus incisos, que trata das incumbências dos estabelecimentos
de ensino e dos docentes
A escola enquadra-se no nível de ensino fundamental tratado
no Artigo 32 em todos os seus incisos.
O ensino religioso é obrigatório na escola por ter sido criada
para abrigar pessoas dessa confissão e simpatizantes.
A jornada escolar é de 4:30 h diárias, às vezes
ampliado para trabalho externos.
A escola não conta com alunos especiais, principalmente por não
haver procura.
Os conceitos para avaliação adotados pela escola são:
AT - (Atingiu Totalmente) com 90 % a 100 %
A - (Atingiu ) com 70 % a 89 %
AP - ( Atingiu Parcialmente) com 50 % a 69 %
NA - (Não Atingiu) até 49 %
Quanto as disciplinas existe uma hierarquia que dá prioridade
às disciplinas de português, matemática e ensino
religioso. Deixa as disciplinas de geografia, história, ciências
e educação física em um nível médio,
e, as disciplinas de inglês, educação artística
e música em um nível mais baixo com poucas aulas
semanais.( ANEXO).
Chamou-me a atenção a aplicação da filosofia
cristã à educação. Não por ser uma filosofia
nova, mas por ser inovadora a metodologia. Esta dá enfoque
aos princípios bíblicos. A maioria dos princípios
bíblicos fazem parte da nossa cultura embora não os
reconheçamos. Por exemplo, os movimentos de preservação
do planeta ( Princípio de Mordomia) ou nos ditados populares
como: “Quem planta colhe”, “Quem planta vento colhe tempestade”, “Aqui
se faz, aqui se paga” ( Princípio de Semear e Colher ).
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ
CONCLUSÕES BÍBLICAS:
1. A
educação cristã não pode ser neutra com respeito
à filosofia de vida de alguém. Ou ela vai ser guiada pelo
humanismo (deidade do homem) “aprisionando” a mente, e formando o caráter
do socialismo, ou ela vai “libertar” a mente, e renová-la ajudando
a trazê-la sob a disciplina e obediência a Cristo, formando
o caráter de Jesus.
= Escola
cristã deve adotar uma filosofia de vida cristã.
2. Educação cristã é, primeiramente, edificação (onde alguém é edificado em Cristo), em vez de evangelização (onde alguém é trazido a Cristo). A função básica do discipulado é discipular os filhos daquelas famílias que tem decidido seguir Jesus.
= Escola cristã é para edificar e não para evangelizar.
3. A escola é uma extensão do lar, e nunca um substituto dela. O lar cristão e a escola cristã devem estar de acordo na filosofia com a escola reforçando o que o lar faz cumprir ou respeitar.
= Escola cristã é uma extensão do lar cristão.
4. A Bíblia deve ser a base para a educação; tanto como um texto quanto como um conjunto de princípios de vida que produz caráter cristão, e dá a Cristo a predominância em todas as coisas.
= Escola cristã deve adotar a Bíblia como seu livro fundamental.
5. Educação é para ser centrada em Cristo, através de um professor que é a “carta viva” de Cristo lida por cada estudante. Instrução pessoal é essencial no processo ensino-aprendizagem.
= Escola cristã é para ser centrada em Cristo, tendo o professor como testemunha viva.
METODOLOGIA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ
O
PROCESSO BÍBLICO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
“Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito
do Senhor ai há liberdade. E todos nós com o rosto desvendado,
contemplado, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados
de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo
Espírito Santo” ( II Co. 3: 17 e l8 ).
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experiente qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” ( Rom. 12:2 ).
A
mente é muito importante, pois o que pensamos nós dizemos,
e o que dizemos é o que vivemos. A Bíblia deixa muito claro
que, conforme nossa mente é mudada, igualmente é mudado o
nosso estilo de vida. Esta é razão pela qual o processo de
ensino-aprendizagem é tão importante, pois a mudança
de nossa mente através da aprendizagem implicará em
mudar o nosso estilo de vida.
Estes
versículos ( II Cor. 3:17,18 e Rom. 12:2) nos sugerem que a nossa
mente trabalhe em um padrão tríplice, o qual nos ajudará
a identificar o processo de transformação que Deus usa:
Reflexão:
o aluno se converterá à imagem que ele contempla em
seu mestre;
Criatividade:
ter um pensamento produtivo onde o que é criado é capaz de
ser posto a serviço dos demais e de Cristo;
Aplicação:
a prova final do nosso aprendizado será vista através da
prática do que sabemos.
As
três áreas de nossa mente, reflexão, criatividade e
aplicação estão sempre em funcionamento. O padrão
tríplice de nossa mente compreende um
mover através do Espírito Santo, uma expressão
inventiva de produtividade e o uso prático do
que temos aprendido.
O
ENFOQUE POR PRINCÍPIOS BÍBLICOS
Os
4 “Rs”
a)
Researching/ Pesquisar
Buscar
e examinar com um contínuo cuidado; buscar diligentemente a verdade...,
inquirir, averiguar com diligência durante a busca dos princípios;
busca contínua e laboriosa da verdade” (Webster-1828 ).
b)
Reasoning/ Raciocinar
O
raciocínio nos levará a ver Jesus e seus caminhos refletidos
em cada matéria do currículo. Isto nos permitirá raciocinar
continuamente a partir das Escrituras, para que em cada uma e em todas
as matérias possamos discernir um ponto de vista equilibrado acerca
de todas as coisas.
c)
Relating/ Relacionar
Ao
relacionar, tomam-se os princípios da palavra de Deus e os conceitos
de alguns aspectos do conhecimento para se aplicar à vida do indivíduo.
d)
Recording/ Registrar
O
propósito deve ser um registro pessoal ( escrito de nosso próprio
punho e letra ) daquilo que foi produzido através da investigação,
raciocínio e a relação de idéias. É
recordar a presença da mão de Deus no aprendizado de cada
fato.
PRINCÍPIOS
BÍBLICOS APLICADOS À EDUCAÇÃO
Princípio
de Deus de caráter:
Gn.
2:15 “Tomou, pois, o Senhor Deus o homem e o colocou no jardim do Éden,
para o cultivar”.
Isto
significa trabalhar arduamente, afadigar-se, isto é, implica em
caráter. É o desejo de Deus de formar a imagem e a
natureza de Jesus dentro do cristão através de pressão
e conflito.
Princípio
de Deus de mordomia:
Gn.
2:15 “... e o guardar...”
Isto
significa observar, tomar conta com atenção, guardar com
cuidado, implicando uma mordomia. Deus, como proprietário de todas
as coisas, tem dado ao homem a responsabilidade de possuir propriedades
externas e internas.
Princípio
de Deus de governo ( autogoverno, domínio próprio ):
Gn.
2:16b e 17 “De toda árvore do jardim comereis livremente, mas da
árvore do conhecimento do bem e do mal não comereis”.
Estas
foram as instruções de governo para provar o domínio
próprio de Adão. O plano de Deus é que as coisas sejam
governadas de dentro para fora.
Princípio
de Deus de semear e colher:
Gn.
17b “porque no dia em que comeres certamente morrerás.
Isto
implica causa e o efeito é reproduzido da desobediência, ou
seja, a lei da semeadura e colheita. Quando alguém dá o retorno
é reproduzido. Esta é a maneira de Deus plantar e colher
a verdade: semear e colher.
Princípio
de Deus de soberania:
Gn.
19:23 - Aqui Deus pensa junto com Adão levando-o a dar nome
a todos os animais da criação, os quais vinham em pares,
permitindo assim que Adão chegasse à mesma conclusão
com relação ao plano de Deus para ele. “...todavia não
se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea”.
Isto
implica em soberania, onde Deus soberano discute com sua criação
mais elevada, permitindo-lhe planejar, julgar e executar junto com Ele.
Princípio
de Deus da individualidade:
Gn.
2:20 “Deu nome ao homem (Adão ) e a todos os animais domésticos,
e às aves do céu”.
Isto
implica a individualidade de toda a criação, tendo variedades
distintas e natureza singular. Todas as coisas que Deus criou têm
uma identidade distinta.
Princípio
de Deus de união ( unidade ):
Gn.
2:24 “Por isso deixa o homem pai e mãe e se une a sua mulher, tornando-se
os dois uma só carne”.
Significa
o estabelecimento de um pacto sobre a terra, expressado primeiramente
na família. Todas as coisas são designadas para funcionarem
em harmonia internamente, mesmo que permaneçam distintas. É
necessário ter unidade interna antes que exista harmonia externa.
EXEMPLO:
Os 7
princípios bíblicos aplicados em leitura:
1. Individualidade:
se aprende os sons de cada letra individualmente;
2. Autogoverno:
A voz governa os fonemas, dominando os diferentes sons. Necessitamos treino
e hábito em leitura;
3. Caráter:
As características e traços de cada letra
diferenciam-na uma da outra;
4. Mordomia:
Devemos ser bons mordomos, articulando bem as letras, sons e palavras;
5.Soberania:
Deus é o criador dos diversos sons ( agudos e graves ) revelando-os
na própria natureza;
6. Semear
e colher: Os sons corretos das letras produzem palavras que expressam idéias;
7. União:
A união de palavras produzem um texto, que nos revelam um contexto.
PASSOS
PARA DESENVOLVER UM CURRÍCULO CRISTÃO
1º
passo : Definir o vocabulário;
2º
passo : Pesquisar o vocabulário nas Escrituras;
3º
passo : Raciocinar e chegar a conclusões a partir das definições
e das Escrituras;
4º
passo : Pesquisar e descobrir a história cristã da matéria;
5º
passo : Estruturar o plano de curso de acordo com os 7 princípios;
6º
passo : Escrever o plano de curso para uma série específica
;
7º
passo : Escrever o desenvolvimento do curso.