Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Educação


A EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA DE CICLOS
 

Daniela Porto Potrich

Ângelo R. B. Eismann



INTRODUÇÃO

A educação nos últimos séculos, vem sofrendo diversas modificações históricas. estas, condizem com a necessidade social do momento. Notamos que em nosso século, estas transformações são bastante influenciadas pelas pensamentos filosóficos que norteiam a sociedade moderna. Temos como exemplo, em dado momento histórico, a influência da ciência na educação, aliás, não somente nela, mas em todo o contexto intelectual de nossa sociedade.

A ciência, neste momento, alcança o reconhecimento social de poder resolver tudo ou quase tudo, neste momento pensava-se que através dela se poderia melhorar o sistema de ensino.

O pensamento científico se materializa nas escolas através de uma prática de ensino chamada tecnicista.

Depois de vivenciada determinada experiência, surgem opositores a este movimento educacional que vem contrapor-se e apontar discussões sobre as falhas que o tecnicismo causa nos educandos.

Outro fator importante que deve ser levado em considerações é a influência das psicologias na educação. Cada psicologia tem sua forma de considerar mais adequada a maneira de como nos apropriamos de certa conhecimento. Este fato, gera mudanças no pensamento pedagógico do nosso século.

Geralmente, quando pensamos na estrutura da escolarização, pensamos em crianças que vão para a escola com uma certa idade. A cada ano, recebem determinado conteúdo e, no término deste, se aprovadas, passam para a série seguinte e assim sucessivamente; isto chama-se ensino seriado. Nosso trabalho inicia justamente nesse ponto.

A partir do ano de 1995, na rede Pública Municipal de Porto Alegre, foi implantada a Escola de Ciclos. Núcleo no qual se trabalha não mais por séries e sim, por ciclos de escolarização.

O trabalho piloto na Rede Pública Municipal, deu-se primeiramente na Escola Monte Cristo, no Bairro Vila Nova, zona sul de Porto Alegre; escola esta onde coletaremos os dados para o nosso estudo.
 
 

JUSTIFICATIVA

Tomar contato com outra realidade para com isso, vivenciamos novos conhecimentos estruturais e funcionais, isto dentro de uma instituição pública de ensino, julgado esta experiência de grande importância para a formação acadêmica de um futura licenciado.
 
 

OBJETIVO

Este estudo tem por objetivo sanar a seguinte pergunta:
 
 

COMO É A ESTRUTURA E O FUNCIONAMENTO DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO PRIMEIRO CICLO DE UMA ESCOLA DE REDE PÚBLICA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE QUE TRABALHA NESTA PESPECTIVA?
 
 

METODOLOGIA
 
 

Utilizaremos como metodologia, os seguinte instrumentos:

CONOGRAMA
 
 

Mês de Abril

- Palestras;

- Conversas com professores;

- Visita à bibliotecas;
 
 

Mês de Maio

- Visita à Secretaria de Educação;

- Visitas à Escola Monte Cristo.
 
 

Mês de Junho

- Elaboração do questionário;

- Aplicação do questionário;
 
 
 
 

- Conclusão do estudo

A EDUCAÇÃO FÍSICA NO PRIMEIRO CICLO DA ESCOLA CIDADÃ VILA MONTE CRISTO

Ângelo R. B. Eismann
 
 
 
 

INTRODUÇÃO
 
 

De tempo em tempos a educação brasileira é assolada por ondas modistas. De repente todo mundo passa a defender uma determinada idéia, seja em termos de métodos, seja em termos de correntes educacionais mais gerais. Assim aconteceu com a Escola Nova e com o tecnicismo.

A parti da década de 80, após o tecnicismo e os métodos de alfabetização terem caído em descrédito, a educação brasileira começou a ser invadida pelas idéias construtivistas de Jean Piaget, especialmente através do trabalho de Emília Ferreiro sobre a psicogênese da língua escrita, abalando principalmente a área de alfabetização.

Piaget via na inteligência, o principal meio de adaptação do ser humano. Analisando como a psicologia vinha tratando o problema da produção do conhecimento pelo homem, Piaget se deparou com duas grandes correntes: o empirismo e o apriorismo.

Dentro do empirismo, encontramos principalmente a psicologia behaviorista (ou comportamental) representada por autores como J. Watson e B. F. Skinner. De acordo com esta teoria o conhecimento é produzido a partir da experiência. Ou seja, o que conhecemos vem dos objetos que entramos em contato. O Behaviorismo calca sua concepção de aprendizagem na idéia do condicionamento, onde ela passa ser definida como uma modificação no comportamento que aquele que ensina gera naquele que aprende. O aluno está reduzido a um mero objeto, resultado do trabalho do educador.

Dentro da segunda corrente analisada por Piaget, o aprioriismo, encontramos, a psicologia da Gestalt (ou da forma). Para esta, o conhecimento se produz porque há na pessoa uma capacidade interna inata que isto lhe permite. Esta teoria supervaloriza a percepção como função básica para o conhecimento da realidade. Em suma, novamente o professor está colocado como centro da educação e o aluno reduzido a um produto deste processo.

Ao analisar essas duass posições, Piaget chama atenção par o fato de que o behaviorismo tem razão ao afirmar que o conhecimento vem da experiência e que a Gestalt, também tem razão em demonstrar a necessidade de processos internos para que o conhecimento se torne possível, porém, a experiência por si só não explica tal realidade, a saber, a do conhecimento e os processos internos não podem ser processos inatos, pois a própria experiência para modificá-las.

Sendo assim, Piaget formula uma terceira posição explicativa parra o conhecimento, onde este, não está nem no sujeito nem no objeto, mas ele se constrói na interação do sujeito com o objeto. A prática pedagógica será basicamente relacional, tornando-se o professor um problematizador da ação conhecedora de seu aluno.

Trabalhando dentro desta perspectiva, foi desenvolvida a experiência pedagógica "Proposta Político Educacional para a Organização do Ensino e dos Espaços-Tempos" na Escola Municipal de 1º grau Vila Monte Cristo onde o ensino é organizado em ciclos de formação e o currículo elaborado dando-se ênfase, pois é um processo dinâmico sujeito à inúmeras influências. Essa concepção de currículo veicula toda uma concepção de pessoa, sociedade, conhecimento, cultura, poder e destinação das classes sociais as quais os indivíduos pertencem, portanto, referida sempre a uma proposta político-pedagógica que explica intenções e revela sempre graus diferenciados da consciência e do compromisso social.

Buscamos com o nosso projeto, acompanhar como tudo isso funciona na prática. Enfatizamos nossa área (Educação Física) e procuramos saber através de observações e conversas com os professores, como é a estrutura e funcionamento das aulas de educação física do primeiro ciclo de uma escola de rede pública municipal, que trabalha dentro desta perspectiva.
 
 

CONTATO COM A ESCOLA

O primeiro contato que fizemos com a escola Vila Monte Cristo, foi através do telefone. A pessoa que nos atendeu explicou-nos que toda solicitação de visita feita à escola, precisa anteriormente passar pela aprovação de um quadro de professores, ou melhor, uma reunião diretiva. ficou então estabelecido que depois de quatro dias deveríamos contatar novamente com a escola para sabermos se nossa solicitação havia sido aceita ou não.

Na reunião diretiva ficou estabelecido que poderíamos comparecer na escola, em um dia pré-determinado, para então realizarmos nossas observações referentes ao projeto.

Numa sexta-feira pela parte da manhã fomos até o Bairro Vila Nova, para visitarmos pela primeira vez a escola Vila Monte Cristo. Deparamo-nos então, com uma escola muito bem projetada, com uma arquitetura "futurística" em meio a um bairro que a primeira vista nos passou ser um bairro pobre.

Fomos recebidos pela diretora da escola, a Professora Regina, que nos tratou com muita cordialidade nos deixando muito à vontade e dizendo-nos da imensa satisfação que a escola sentia em receber acadêmicos.

DA AULA PROPRIAMENTE DITA
 
 

Fomos levados até a sala de múltiplas atividades, usadas para aulas de Educação Física quando o tempo está chuvoso ou muito frio. Consistia em uma sala ampla, com espelhos e dois bancos grandes. Logo em seguida chegou a professora Cristina com a turma do primeiro ano do primeiro ciclo, eram vinte e duas crianças na faixa etária de seis anos.

A aula procedeu de maneira normas. No início foi feita a chamada, logo após, ela explicou à turma que teriam a participação de dois novos alunos, referindo-se à nós. Nos apresentamos e logo a seguir a parte prática da aula iniciou.

Naquele dia o material utilizado seri elástico. A turma foi dividida em dois grupos. Um "corresponderia" ao abacaxi e o outro ao abacate. O elástico foi fixado de um lado, nos pés de uma pequena mesa, e de outro, nas pernas da própria professora.

A atividade consistia em, o grupo que fosse chamado, deveria transpor o elástico sem tocá-lo e correr até o fundo fa sal, aguardando a próxima chamada. A professora fez algumas variações e valorizou as idéias de cada aluno, solicitando que cada criança inventasse uma nova forma de transpor o elástico. A seguir foram feitas algumas brincadeiras de rosa também explorando a criatividade de cada criança. A seguir, os avisos de rotina foram dados e as crianças foram dispensados para o recreio.
 
 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
 
 

É inevitável deixar de considerar, que a nossa presença dentro da classe, causou uma certa agitação. para nós, ficou bastante visível que a proposta pedagógica que foi desenvolvida em aula, superou a postura tradicional do professor, permitindo que os educandos pudessem participar do processo de construção do mesmo, de forma a relacionar o que o professor desejava levando-se em consideração o conhecimento prévio dos alunos.

Ficou bastante claro também, que para se trabalhar nesta perspectiva, o educador deve deter um conhecimento elaborado, não simplesmente reproduzido. Deve-se estar sempre atento às necessidades do educando, fazendo dele, construtor do processo, na perspectiva da formação da cidadania.

No entanto, não podemos perder de vistas, o fato de que, a professora em questão, possui uma formação universitária, possível de ser identificada através da conversação que tivemos com a mesma, o que não acontece nas escolas normais, onde quem trabalha com essa faixa etária, são professores secundaristas que não possuem tal acumulação de conhecimentos. Esse fato já causa certa diferenciação na qualidade de qualquer trabalho.

Devemos considerar também, que a escola, conta com meios objetivos para realizar as atividades, ou seja, há uma diversidade de materiais para se trabalhar com as crianças, o que já não acontece com a maioria das escolas públicas, onde o que existe é o sucateamento e a falta dos mesmos.

A aulas de educação física acontecem com a freqüência de duas vezes por semana, com a duração de 45 minutos, tendo na parte inicial uma explicação do que será trabalhado em aula, em seguida faz-se um aquecimento, logo após uma parte principal onde se trabalha geralmente com um tipo de material (elástico). Como término da aula realiza-se um relaxamento ou como chamamos, volta à calma. Tudo isso é trabalhado de forma recreativa e lúdica, tendo como objetivo principal a socialização dos educandos.

No final desta observação fomos convidados pela professora para retornarmos outras vezes na escola, ou até mesmo, realizarmos um trabalho em conjunto para podermos, assim, aprofundar nossos conhecimentos e experiências. Isso nos mostrou o grande grau de receptividade da escola, pois normalmente, observadores interferem na rotina da aula, fazendo com que os professores não se sintam muito satisfeitos, visto que, os alunos demonstram muita ansiedade perante pessoas estranhas e pelo fato de terem que planificar algo para mostrar aos observadores, o que geralmente não é feito devido a falta de disponibilidade, condições e o próprio interesse do educador.
 
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
 

Podemos através deste projeto, confirmar nossas expectativas e a hipótese, de que, a Escola de Ciclos está realmente preocupada com a formação cidadã do educando e que isso se dá pela realização do rpojeeto político pedagógico e de um grande grau de organização para pô-lo em prática. não podemos esquecer de todas as condições objetivas que são oferecidas para que este projeto se realize.

Quando se conta com ótimas qualificação profissional, infra-estrutura, avaliação democrática do processo, investimentos financeiros e propostas política clara, há uma facilitação na realização do objetivo que é "educar".

O que nos deixou mais felizes e satisfeitos é o fato de que este trabalho está sendo realizado para as classes populares, sem estes terem de pagar diretamente por esta instrução.

Acreditamos que este tipo de trabalho, venha trazer resultados e modificações num futuro, nestas comunidades carentes tão excluídas pelo processo capitalista, uma vez, que investe na formação de sujeitos mais participativos, críticos, criativos, politizados e solidários, que irão interferir no seu meio. Deixamos então, que esta hipótese levantada, possa ser comprovada ou não, em um outro projeto que venha a ser desenvolvido futuramente.